Produtores passaram sufoco com precificação em 2017, mas esperam safrinha de milho com otimismo

Entenda como foi o ano do milho no Brasil

Para nosso especial sobre commodities, a entrevista da semana é sobre o ano do milho brasileiro, que teve muito dos investimentos do produtor determinados para a soja, que aparentava ser mais rentável na primeira safra do ano.

Em entrevista ao EFEAgro, o consultor agrícola Joaquim Ortiz, ressaltou que o cenário deste ano foi de pouca produtividade do grão na principal safra (set-nov), mas que isso sinaliza alavanca nos preços para fechar o ano com mais otimismo para os produtores. Confira entrevista:

Como foi o desempenho do milho este ano no Brasil?

JO: Os negócios com semente de milho estagnaram, todas as empresas deram ré nas negociações com o milho, não colocando o grão no mercado por conta do grande desenvolvimento e da grande decisão do produtor em plantar soja, pois o mercado futuro da soja sinalizava bons preços, cerca de 70 reais a saca de soja.

Por que o investimento foi maior para soja?

JO: Em comparação a soja, um commoditie internacional que garante um  preço futuro melhor que o milho, o investimento desprendido ao milho é muito alto em relação ao preço que vai ser especulado ao longo da safra. O plantio de milho inicia na segunda quinzena de setembro, porém a soja foi mais atrativa, pois impulsionou 70% das áreas de plantação de sementes e os negócios foram destinados à soja. Consequentemente, o aumento das áreas de soja fez com que os analistas, os compradores, os cerealistas que dependem do milho fazer negócios, alterarem e mudarem os planos.

Mas e agora? O produtor pode respirar mais tranquilo para 2018?

JO: O mercado mudou e começou a sinalizar preços crescentes do milho, o que fez alguns produtores solicitarem sementes aos seus representantes agrícolas, por exemplo. O milho hoje representa R$ 9.000,00 por alqueire, enquanto a soja fica em torno de R$ 7.000,00, variando para produtor de alta, média e pequena tecnologia. E até o pequeno produtor resolveu plantar soja por questões de preço, e isso fez com que o milho fosse uma aposta secundária. Os grandes produtores estocaram e os que não plantaram podem planejar um milho de safrinha com otimismo, pois com pouca oferta no mercado a tendência é melhorar condição do preço do milho, já que não houve tanto investimento por parte do produtor.

Como está o fim do ano para as negociações do commoditie?

JO: No início de novembro até hoje, as negociações foram retomadas com semente de milho por conta da sinalização de preço por conta do milho, que começou com R$ 18,00/saca, atingiu agora R$ 32,00/saca com perspectiva por parte dos produtores de chegar a R$ 40,00 para aqueles que plantaram. Surpresa para quem apostou na cultura do milho.

Como podemos analisar o ano que passou?

JO: Resumo do ano é a lei da oferta e procura. Como o milho não tem sinalização de áreas que muito prouziram, a tendência que haja uma melhoria de preço. Alguns produtores ainda mantem milho da última safra, que eles tiraram agora em junho, guardado aguardando uma melhor condição de preço. Poucos fazem isso. A estimativa é que o preço tenha altos patamares nos próximos meses e feche o ano com boa perspetiva para os produtores, gerando lucros. Para o milho que é plantado depois do feijão, lá por maio, imaginamos preços bem atrativos para o produtor.

Lamentavelmente o produtor não senta para fazer conta, ele especula muito o preço e isso, muitas vezes, atrapalha nas apostas de plantação e colheita.

 

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