MÁQUINAS AGRÍCOLAS

AGCO crê em recuperação nas vendas de máquinas agrícolas no Brasil para 2017

O presidente e diretor-executivo da AGCO previu um crescimento de entre 5% e 10% para as vendas da companhia no próximo ano no Brasil

Depois de dois anos ruins de vendas na América do Sul, especialmente provocados pelas crises vividas por Brasil e Argentina, a AGCO, dona das marcas Massey Ferguson e Valtra e uma das líderes mundiais da indústria de máquinas agrícolas, está otimista para uma recuperação do setor já em 2017 nos dois países.

Em entrevista coletiva realizada na última quarta-feira (5) em Foz do Iguaçu (PR) para discutir as condições atuais do mercado sul-americano, o presidente e diretor-executivo da AGCO, Martin Richenhagen, previu um crescimento de entre 5% e 10% para as vendas da companhia no próximo ano apenas no Brasil.

“Ainda não temos os números exatos, estaremos em posição de compartilhar isso em dezembro. Pode até ser maior. No passado, vimos que quando o Brasil volta, ele volta grande. Precisamos estar prontos para agir rápido, falar com nossos fornecedores e termos condição de atender essa recuperação”, disse Richenhagen.

A empresa sentiu o impacto das incertezas vividas pelo país, amenizada em parte, na avaliação dos diretores, após o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No primeiro semestre deste ano, de acordo com o vice-presidente de Marketing e Vendas da AGCO na América do Sul, Werner Santos, a empresa comercializou em torno de 28% menos do que no mesmo período de 2015, uma queda que acompanhou o desempenho geral do setor.

Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) indicam um recuo de 30,9% nas vendas do segmento nos seis primeiros meses de 2016 em relação a igual período de 2015. No entanto, já há um esboço de recuperação, que, segundo Santos, permitirá que o setor feche o ano com uma queda de apenas 5% se comparado a 2015.

Entre os fatores indicados para a retomada estão, além de um cenário político-econômico menos instável, uma maior confiança do produtor que já inicia o plantio da próxima safra de soja. O agronegócio sofreu menos com a crise – avançou 1,8%, enquanto a economia do país caiu 3,8%, de acordo com dados oficiais -, mas os produtores adotaram uma postura de cautela em relação a novos investimentos. Uma atitude que, segundo Santos, está sendo mudada aos poucos e já pode ser observada em grandes feiras como a Agrishow e a Expointer.

“No segundo semestre (o mercado) já está mostrando uma recuperação, mas como tivemos uma queda muito grande no primeiro, não há tempo hábil para recuperar tudo. Embora a gente esteja otimista no segundo semestre, o ano deve finalizar com uma queda de 5% em relação ao ano passado”, projetou o vice-presidente de Marketing e Vendas da AGCO.

“Para 2017, estamos mais otimistas. Acreditamos que o mercado vai mostrar uma recuperação e também vamos entrar com produtos novos que irão nos ajudar no próximo ano”, completou Santos.

O vice-presidente e gerente-geral para América do Norte e América do Sul da AGCO, Robert Crain, reiterou o otimismo da companhia no mercado da região. “Estamos começando a ver estabilidade. Vivemos alguns ciclos na nossa indústria. Estamos vendo luz no fim do túnel e certos de que ela não é um trem”, brincou, colocando o ano de 2017 como o “ano da recuperação”.

“Não vamos crescer igual a um foguete. Comparado com 2015 e 2016, esperamos uma alta leve”, estimou, ressaltando a importância da região para a empresa, responsável por cerca de 15% do negócio global da AGCO.

Parte do otimismo também vem da capacidade potencial de produção dos países da América do Sul e do tamanho da frota em relação a outros países. Em termos de tratores, segmento que a AGCO possui 44% de market share no país, os produtores brasileiros utilizam um a cada 113 hectares. Nos Estados Unidos, a relação é de 1 para 36 hectares.

“A América do Sul é (a região) onde nós temos no mundo a maior capacidade de crescimento para a agricultura. Quem acompanha o mercado por muitos anos sabe que quem produzia 40 sacas de soja por hectare tinha uma produtividade considerada boa. Hoje, 65 sacas é oportunidade de crescimento. O que aconteceu? Melhoria das sementes e as máquinas tiveram que acompanhar isso”, explicou Santos.

Publicado em Economia

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