MILHO

Agroconsult vê risco de desabastecimento de milho no país em 2016

Perspectiva é de queda na safra de verão do grão de milho, que deve chegar a 27,9 milhões de toneladas – 7% a menos que em 2015

Foto: EFE/Cézaro De Luca

A consultoria Agroconsult considera “alto” o risco de uma crise de abastecimento de milho no país em 2016 por conta de uma redução nas estimativas de produção da safra de verão do grão de 7% segundo os números divulgados nesta terça-feira durante o lançamento Rally da Safra 2016, expedição que avaliará as condições das lavouras de grãos no país ao longo do primeiro trimestre deste ano.

“A safra de verão vai ser menor do que a do ano passado porque reduziu a área plantada e estamos dependendo da safrinha, que será plantada numa área maior, mas num calendário menos favorável que no ano passado, em um ano em que a indicação dos mapas climáticos é de que a partir de abril as chuvas parem”, avalia o sócio diretor da Agroconsult, André Pessôa.

Segundo ele, o cenário pode comprometer a produtividade do chamado milho safrinha, plantado nos intervalos das safras soja e que, se cair abaixo das 55 milhões de toneladas, pode gerar um cenário “crítico” no mercado interno.

“Se pegarmos o que já se vendeu de milho para exportação para o ano que vem e o que o mercado também tem em crescimento de demanda, podemos ficar curtos. Preço vamos ter, mas não descartamos a possibilidade de ver importação de milho dos Estados Unidos para o Brasil no segundo semestre desse ano”, destaca o consultor e coordenador do Rally da Safra organizado pela Agroconsult.

De acordo com os números divulgados pela consultoria, a expectativa do milho safrinha é de 57,7 milhões de toneladas, um aumento de 6% sobre a safra passada e com um aumento de 9% de área plantada.

Ainda assim, a perspectiva é de queda na safra de verão do grão de milho, que deve chegar a 27,9 milhões de toneladas (7% a menos que em 2015), totalizando 85,6 milhões de toneladas – bem próximo dos 84,7 milhões de toneladas registradas na safra 2014/2015.

“Ou seja, 900 mil toneladas a mais que no ano passado, mas com a ressalva de que esse ano, particularmente por conta de os mapas climáticos estarem apontado que não vamos ter a mesma chuva que tivemos de maio e junho, a gente pode ter uma redução de produtividade no milho safrinha”, ressaltou Pessôa ao destacar ainda o atraso no plantio de soja – que atrasa o plantio de milho – e ao avaliar um cenário apertado mesmo com a colheita de mais de 85 milhões de toneladas do grão.

“A gente pode ter uma situação muito estranha, de termos que revisar os números de exportação de milho para baixo e não repetir os 30 milhões de toneladas de 2015 e ter eventualmente até que importar”, alertou o sócio-diretor da Agroconsult.

Ainda assim, Pessôa destaca que mesmo com uma perspectiva de menor produtividade não deve haver uma redução de área, sobretudo por conta da valorização do milho, que acumula alta de 17,9% em relação ao mês passado segundo o indicador ESALQ/BM&FBovespa, somado à desvalorização do real, que favorece uma melhor competitividade internacional rentabilidade para o produtor brasileiro.

“Nossa expectativa é de que o produtor vai plantar preocupado, reclamando – porque não vai ser tão barato assim comprar semente, principalmente – mas vai plantar porque o mercado está com incentivo grande de preço.”, conclui Pessôa.

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Publicado em Agricultura

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