SOJA

Alta do dólar dá novo impulso à venda de soja no Brasil

Produtores estão aproveitando o momento de alta na moeda norteamericana para conseguir margens maiores

Foto: EFE/Cézaro De Luca

Os produtores de soja voltaram a negociar a soja da safra 2015/2016 com a perspectiva de que as altas do dólar aumentem  a rentabilidade do grão segundo alerta de mercado divulgado nesta segunda-feira pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP (Cepea).

A moeda norteamericana chegou a R$ 3,54 no último dia 6 de agosto, o que levou o Banco Central a adotar medidas para controlar a disparada nas cotações, como o aumento de 6.000 para 11.000 o máximo de  contratos diários de compra de dólar no mercado de futuros. Com a medida, o real se valorizou 0,7% – a primeira valorização após seis dias consecutivos de queda.

Com isso, os produtores estão aproveitando o momento de alta na moeda norteamericana para conseguir margens maiores, que compensem os gastos com insumos adquiridos num período em que o dólar já se encontrava valorizado (apesar de em patamares menores do que o da última semana),

“Nesse sentido, a maioria das vendas do grão 15/16 ocorre com valor fixado em Real tomando-se por base o dólar futuro do período de entrega. Parte dos produtores, no entanto, ainda precisa concluir as compras de fertilizantes e defensivos para a safra que começa a ser semeada em meados de setembro”, explica, em nota o Cepea. Segundo o Alerta de Mercado, nesses casos, os negócios têm sido fechados usando o próprio grão como garantia de pagamento.

Em relação ao que resta do grão 2014/15 em estoque, o Cepea destaca que os produtores continuam reservando as sementes para venda futura ainda que haja o risco de a colheita nos Estados Unidos pressionar as cotações internacionais, o que tem gerado uma preferência pela venda do milho, que segue com cotações em alta na maior parte das regiões acompanhadas pelo Cepea.

“O impulso vem do forte ritmo das exportações nas últimas semanas. A quantidade (de milho) embarcada em julho foi 9 vezes superior à de junho/15 e o dobro da de julho/14. Pesquisadores do Cepea indicam que o dólar em alta tem grande influência nesse resultado, à medida que atrai vendedores para negócios de exportação e torna o grão nacional competitivo”, aponta a análise do Centro de Estudos.

Segundo o Cepea, em julho, foram exportadas 1,28 milhão de toneladas de milho a um preço médio de US$ 170,00/tonelada. A cotação é a menor desde janeiro/10, mas o câmbio tem proporcionado ao vendedor R$ 32,85 por cada saca de 60 kg – bem mais que o obtido no mercado, avaliam os pesquisadores.

 

Marcados com: , ,
Publicado em Agricultura

Twitter: efeagrobrasil