Café

Brasil reduz em 10% exportações de café em 2017 e tem pior resultado desde 2012

Segundo conselho de exportadores, principal razão para a queda foram as condições climáticas desfavoráveis

(Foto: EFE/Roberto Escobar)

O Brasil fechou o ano de 2017 com um total de 30,7 milhões de sacas exportadas de café, número aproximadamente 10% menor do que as 34,2 milhões de sacas exportadas em 2016, e o mais baixo desde 2012, de acordo com dados do Conselho de Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

A receita total das exportações também caiu, baixando de US$ 5,4 bilhões para US$ 5,2 bilhões, contudo, o preço médio da saca subiu cerca de 6,6%, passando de US$ 158,91 em 2016 para US$ 169,36 em 2017.

“A queda registrada em 2017 já era prevista pelo mercado, em virtude das condições climáticas ruins, que prejudicaram principalmente os café do tipo conilon”, destacou o presidente do Conselho, Nelson Carvalhaes, durante a divulgação dos dados.

Do total exportado em 2017, praticamente 90% dos grãos (27 milhões de sacas) são do tipo arábica, que é considerado de maior valor e qualidade do que o tipo conilon, o mais afetado pelo clima, que embarcou menos de 300 mil sacas. O restante é representado pelos cafés industrializados.

Também foi registrada queda na venda de cafés diferenciados, que possuem um tipo de certificação extra de qualidade, que significaram 16,7% do total de café exportado e quase 20% dos valores obtidos em 2017.

Os Estados Unidos se mantiveram como o principal importador do café brasileiro, com participação de 20% no mercado, seguidos pela Alemanha, que comprou 18% do café brasileiro vendido internacionalmente.

Os países da América do Sul representaram 3% das exportações de café brasileiro, com menos de 1 milhão de sacas e queda de 21% em relação ao ano anterior. O Mercosul foi responsável por 2/3 desse total e apresentou queda de 18%.

A fatia brasileira no mercado internacional caiu de 28,8% do total para 25,8%, o que ainda não tira o país do posto de maior produtor e exportador do mundo.

Para o ano de 2018, o Cecafé espera um recuperação no setor, principalmente no segundo semestre, devido a uma melhora das condições climáticas e pluviométricas.

“O Brasil é um grande player no mercado do café, tanto pelo potencial de produção, como pelo próprio consumo interno. Apesar de um ano ruim, temos a responsabilidade de suprir a demanda mundial de café, que deve crescer com a entrada de novos mercados”, afirma Carvalhaes.

Internamente, o mercado do café gerou cerca de R$ 26,66 bilhões, R$ 1,6 bilhão a menos que o ano anterior. Desse total, R$ 16,64 bilhões foram obtidos com as exportações e R$ 10,02 bilhões com as vendas para o mercado interno.

O café representou 2,4% do total das exportações brasileiras em 2017 e 5,4% das relacionadas ao mercado do agronegócio.

O consumo mundial de café cresceu cerca de 1,6% em 2017, passando de 155 para 157,7 milhões de sacas. De acordo com as previsões da Cecafé, o crescimento médio do consumo deve variar em torno de 2% ao ano, chegando a 205 milhões de sacas em 2030.

“Essa perspectiva, entretanto, pode mudar, principalmente em virtude do mercado asiático, que possui um grande contingente populacional mas ainda não tem o hábito de beber café com frequência”, finalizou o presidente do Cecafé.

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