Pescado

Brasil suspende exportações de pescado à Europa por veto sanitário

Segundo o Ministério da Agricultura, 60% das empresas avaliadas pelos europeus apresentavam irregularidades

Detalhe de banca de pescados no Rio de Janeiro. EFE/Marcelo Sayão

O governo brasileiro anunciou a suspensão temporária das exportações de pescados à União Europeia, meses depois da identificação, por parte de auditores europeus, de irregularidades sanitárias em companhias brasileiras que despachavam os produtos.

A suspensão entrará em vigor a partir do dia 3 de janeiro, como parte de um Plano de Ação destinado a responder às queixas apresentadas pela União Europeia após a auditoria, que aconteceu em setembro, de acordo com a nota do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Segundo o comunicado, a suspensão tem como objetivo evitar a imposição de um veto unilateral por parte dos europeus.

Para retomar as exportações o mais rápido possível, o Mapa realizará, junto a outros órgãos públicos, uma “severa inspeção sanitária” nas embarcações utilizadas pelos exportadores de pescado, um dos itens mais criticados pelos avaliadores da UE, para determinar quais as medidas necessárias.

Além disso, o Brasil solicitará que a União Europeia diferencie as exigências sanitárias que impõe às empresas que exportam pescados extraídos da natureza e às que embarcam espécies criadas em cativeiro, como a tilápia. O pedido se deve ao fato de que as irregularidades foram encontradas em barcos que operam em alto mar e não em tanques de aquicultura.

O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério, Luis Rangel, citado no comunicado, explicou que os auditores europeus que fizeram a vistoria visitaram as embarcações de dez empresas exportadoras de pescado e indústrias de processamento, detectando problemas em seis delas.

Sem contar a supostas falta de higiene dos barcos, a comissão também identificou problemas nos mecanismos de rastreio do produto e falhas de refrigeração.

A auditoria se concentrou em companhias sediadas no estado de Santa Catarina, maior polo exportador de pescados do país.

O presidente da Associação Brasileira de Piscicultura, Francisco Medeiros, após uma reunião no Mapa, defendeu que a suspensão seja limitada às empresas em que foram encontradas as irregularidades e não se aplique a toda a cadeia exportadora.

Entre os principais pescados exportados pelo Brasil à Europa estão o atum, a lagosta e o tamboril. As exportações brasileiras do produto somaram, em 2016, cerca de 33 milhões de dólares e, no acumulado entre janeiro e novembro de 2017, chegavam a quase 22 milhões de dólares.

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Publicado em Economia

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