Café Exportação

Volume exportado de café diminui, mas não atrapalha receita semestral no Brasil

Embora quantidade de sacas vendidas para o exterior tenha sido menor, receitas aumentaram em relação ao ano passado

EFE/Barbara Walton

O Conselho de Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) divulgou, nesta quarta-feira, o balanço das exportações do país no último ano-safra (2016/2017), que mostra uma variação positiva nos recursos obtidos pelo setor, apesar da queda de volume exportado para o consumo mundial, impulsionada pelas condições climáticas desfavoráveis na última safra (2016/2017).

Nos últimos 12 meses, a receita cambial gerada com as exportações de café foi de US$ 5,6 bilhões, um aumento de 5% em relação ao ano anterior (US$ 5,3 bilhões), o que foi promovido pelo aumento do preço do café no mercado externo, que passou de U$ 151 para U$ 171 cada saca.  No entanto, o volume das sacas diminuiu em 7.4%,  equivalente a 60 kg. 

“Na última safra, tivemos a interferência de problemas climáticos, como a falta de chuvas, que afetaram a produção e, consequentemente, o volume exportado. Ainda assim, enxergamos os dados como bons para o setor, em virtude do aumento das receitas”, declara o presidente do Cecafé, Nelson Carvalhaes.

Durante a coletiva, a organização avaliou que o primeiro semestre aponta um aumento de capital, porém uma retenção no volume exportado, possivelmente reflexo da precaução do produtor diante da instabilidade econômica do mercado interno.

“Como o Brasil é um dos países que melhor repassa esse aumento ao produtor, cerca de 85% do total, os resultados do ano foram satisfatórios”, pondera o presidente.

As condições climáticas adversas afetaram principalmente o café do tipo ‘robusta’ ou conilon, de qualidade inferior utilizado nas misturas destinadas ao mercado interno e na produção dos cafés solúveis.

O cultivo e a venda do tipo arábica, responsável pela maioria das exportações, não sofreram grandes alterações.

Em relação aos preços, é difícil definir quais são, exatamente, os fatores que envolvem sua variação. Para o diretor técnico do Conselho, Eduardo Santos, o comportamento do mercado teve maior peso na valorização do café.

“A diminuição da oferta, aliada às variações cambiais a ao incremento dos cafés diferenciados foram importantes para a alteração positiva de preços”, afirma.

Brasil no mercado cafeeiro

Mesmo com algumas quedas de volume na exportação e variações na precificação, o produto brasileiro fecha o semestre mais uma vez como o café de maior participação no mercado mundial.

“Atingimos praticamente 33 milhões de sacas exportadas que, se somadas às 20 milhões consumidas internamente, equivalem a um terço do consumo mundial de café, estimado em 155 milhões de sacas/ano”, explica Carvalhaes.

Os Estados Unidos são responsáveis pelo consumo de 19,5% do total exportado e continuam como maior importador do grão brasileiro, apesar da variação negativa no último ano-safra.

No ranking do consumo do grão brasileiro estão Alemanha (17,9%),  Itália (9,1%) e Japão (7,1%). Os destaques no aumento da demanda foram países emergentes, como Rússia e Turquia, cuja importação de café brasileiro cresceu, respectivamente, em 15% e 20%.

Exportações para os vizinhos 

Apesar da proximidade geográfica, o mercado cafeeiro do Brasil ainda engatinha nas exportações para a América do Sul. O continente representa apenas 3% de participação no mercado, com queda, neste último ano, de 36% da quantidade importada. Tratando do Mercosul, o bloco é o que menos importa o café brasileiro, ficando atrás de mercados distantes, como o Leste Europeu e os Países Árabes.

Projeções

Para o próximo ano-safra, cuja produção está sendo colhida, a tendência é que os resultados sejam similares aos apresentados, com uma leve melhora no volume produzido.

“O clima atual está favorável ao cultivo. Se assim for mantido, a produção deve aumentar”, projeta Santos. “É difícil definir o desempenho da exportação, pois os preços variam e o estoque brasileiro não mantém a oferta estável durante o ano todo”, completa.

Mundialmente, o consumo de café vem crescendo aproximadamente 1,6% ao ano. Caso esse índice se mantenha, a expectativa é de que, no próximo ano, a demanda seja de 159 milhões de sacas, ante uma produção de 158 milhões. Entretanto, existe a possibilidade de que os países emergentes potencializem o desempenho do setor.

“O mercado asiático deve ser responsável por um grande avanço do setor cafeeiro, em virtude de sua ascendência econômica e seu grande contingente populacional. Esperamos que países como Índia e China se tornem importantes destinos para o café brasileiro”, prevê Carvalhaes.

Estoques

As reservas brasileiras de café vêm caindo nos últimos tempos, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No período de um ano, de 31 de março de 2016 à mesma data em 2017, os estoques do grão caíram 27%, de 13,5 para 9,8 milhões de sacas. A Cecafé, entretanto, questiona esses dados.

“As exportações brasileiras entre março e junho deste ano foram de 8,5 milhões de sacas, enquanto estima-se o consumo interno em 5,2 milhões. Com isso seria possível com um estoque de 9,8 milhões de sacas? Faltaria café para o mercado interno”, questiona o presidente do Conselho.

Carvalhaes argumenta que  são necessárias mudanças na metodologia da Conab, já que “os dados não fecham”, visando a uma melhor compreensão do setor cafeeiro no país e, consequentemente, a obtenção de melhores resultados.

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Publicado em Agricultura

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