ÁFRICA

China amplia cooperação agrícola com a África

Segundo estudo do Banco Mundial, a China representa aproximadamente 25% do comércio exterior da África

Foto: EFE/Adrian Bradshaw

Com a ajuda de organizações internacionais, a China está ampliando sua colaboração agrícola com os países pobres, especialmente na África onde usa do intercâmbio de tecnologias e especialistas para reforçar suas relações com o continente.

O país asiático é um dos mais ativos em questões de cooperação sul-sul ee em mais de uma década já destinou mais de 80 milhões de dólares para projetos com a Organização da ONU para Alimentação e Agricultura (FAO), o mais recente deles em funcionamento na República Democrática do Congo.

O especialista da FAO Carlos Watson destacou em declaração à EFE que num primeiro momento foram enviados a países em desenvolvimento – amaioria deles africanos – 300 especialistas chineses e 400 tecnologias, além de treinamento no campo para mais de 20 mil camponeses.

As principais áreas de interesse são a produção de arroz, a agricultura em áreas de estiagem, a agricultura, o cuidadoc om granjas, cruzamento de gado e transferência de tecnologia.

O líder da equipe de cooperação sul-sul enfatiza que esse tipo de colaboração “é guiada pela demanda” de quem busca esses programas, um princípio que é somado a outros como o benefício mútuo, a solidariedade, o respeito, a soberania ou a igualdade.

“A China teve uma evolução econômica e um desenvolvimento muito rápido, com experiências exitosas que considera oportunas e relevantes para que outros países possam se beneficiar delas”, lembra Watson.

Desde a década de 1950 a china articula uma estreita política econômica com os países africanos até converter-se há três anos em seu maior parceiro comercial e de desenvolvimento.

Segundo estudo do Banco Mundial, o gigante asiático representa aproximadamente 25% do comércio exterior da África Subsaariana, dos quais os produtos agrícolas representam apenas 5% em 2013 devido a fatores como o protecionismo do mercado chinês. Isso porque a forte industrialização e urbanização na China requereu sobretudo petróleo, minerais e metais do continente africano.

O especialista do Instituto de estudos para o Desenvolvimento (com sede no Reino Unido) Ian Scoones argumenta que, diferentemente dos países ocidentais, a China está se inserindo na África em “setores importantes para a transformação, como a energia, a construção e a agricultura”

A partir de pesquisas na Etiópia, Gana, Moçambique e Zimbábue, chegou à conclusão de que “os interesses geopolíticos, comerciais e de desenvolvimento se combinam de diferentes formas” e a realidade ” é muito diferente” em cada projeto. No fundo, afirma, os chineses “estão criando conexões e contatos que no futuro serão importantes para seu comércio e terão implicações políticas e diplomáticas”.

Sobre sua equiparação com as antigas colônias ocidentais e casos de abusos derivados da exploração dos recursos naturais, a falta de estatísticas confiáveis dificulta a análise, em parte por falta de transparência das autoridades chinesas, que só fornecem números agregados a cada poucos anos e menores que outras estimativas.

Em um recente livro, a pesquisadora Deborah Brautigam se pergunta se a África terminará alimentando a china e tenta desmontar com dados ideias preconcebidas sobre o compromisso chinês com a agricultura africana. Uma questão polêmica se refere à compra de grandes extensões de terras por estrangeiros, tema sobre o qual organizações não governamentais como as agrupadas na Coalizão Internacional (ILC) estão analisando nos acordos transnacionais para a aquisição de terras, muitas vezes opacos.

A nível global, o conflito aflora quando não se reconhecem as revindicações legítimas da população local sobre os seus recursos nem as consulta previamente.

O diretor da ILC, Mike Taylor, explica que a maioria dos grandes investidores nos casos analisados são tradicionais, como Estados Unidos, e entre eles a China ocupa o nono posto, com investimentos em todo o Sudeste Asiático e África. Nesse sentido, afirma que a China não é diferente de outros países pois compete por recursos igual a outros emergentes como Brasil ou Índia.

Os especialistas concordam que a evolução da economia chinesa (com um menor crescimento nos últimos anos) determinará o impacto da cooperação na África.

Ian Taylor, especialista da Universidade escosesa de Saint Andrews, considera que o governo chinês está adotando uma nova política para a economia doméstica e, “se no passado se interessava pelos recursos naturais africanos, agora veremos um menor interesse em exportar e investir na África”.

Além disso, a maior atividade continua em mãos de empresas privadas chinesas. “Quando você olha para o que está acontecendo na África, percebe que estão alí para fazer dinheiro”, destaca.

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Publicado em Agricultura

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