PROTEÍNA ANIMAL

Com mercado interno em queda, China deve impulsionar a carne de frango brasileira

A queda do consumo interno foi de 5% para o frango e de 2% para suínos. Para aumentar ainda mais as exportações, a ABPA prega um forte trabalho sanitarista

Foto: EFE/Orestis Panagiotou

Em cenário de crise econômica e enfraquecimento do mercado interno, os embarques de carne de frango devem ser o alívio dos produtores, segundo estimativas da Associação Brasileira de Carne Bovina (ABPA) divulgadas nessa terça-feira (12). Os números da entidade mostraram que no primeiro semestre deste ano o crescimento no volume exportado foi de 13,86% em relação ao mesmo período de 2015.

Mesmo com o número positivo, a receita gerada nestas vendas deve ser de US$ 3,343 bilhões, 1,25% a menos que o primeiro semestre do ano passado. Só em junho, a queda foi de 3,5%.

“As exportações foram a saída, mas o setor viveu crise, com empresas fechando. O preço dos insumos foi para as nuvens, foi terrível”, afirmou em coletiva Francisco Turram presidente da ABPA, se referindo à queda do consumo interno (5% para o frango) e à alta de preços dos grãos, como milho, farelo de soja e soja em grão. No caso do milho, por exemplo, a entidade afirmou ter havido de 81% no preço em dólar.

Neste cenário, a Associação prevê que o produtor continuará a privilegiar o mercado externo, o que acarretará em um aumento de até 8%, estimam eles, nas exportações. Embora atualmente a Arábia Saudita ainda seja o grande parceiro econômico brasileiro para o frango, o papel da China se mostra cada vez mais importante.

“A China é uma demanda consistente, ela começou no início do ano e ela se dá pelo aumento de renda do chinês”, firmou Ricardo Santin, vice presidente de mercado da ABPA. Em 2016, o volume exportado passou de 145,6 para 256,4 milhões de tonelada.

Suínos

Para a carne de porco, o cenário também é de favorecimento às exportações. O crescimento no primeiro semestre de 2016 foi de 54,7% no volume e 14,8% na receita, segundo a entidade, com grande expectativa para uma futura abertura de mercado no México, segundo maior importador mundial do produto. Para o mercado interno, a previsão é de retração de 2%.

“Nós estamos trabalhando para fazer aparecer nas estatísticas, também, o Japão. Eles são os maiores importadores de carne suína do mundo e nós temos que fazer um trabalho interno para adequar o perfil da nossa carne ao consumidor japonês”, afirmou Rui Eduardo Saldanha Vargas, vice-presidente e diretor técnico da entidade.

Para se favorecer das exportações, a entidade espera trabalhar as questões sanitárias, que hoje são as maiores barreiras ao produto nacional. Além disso, eles já se manifestaram favoráveis a um câmbio na casa dos R$ 3,50.

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Publicado em Pecuária

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