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Conflitos armados derrubam produção agrícola na República Centro-Africana

Segundo a FAO, a produção agrícola do país em 2015 foi 54% menor que a média de antes dos conflitos, equivalente a um milhão de toneladas menos de produção

A produção agrícola da República centro-Africana caiu pela metade por conta dos três anos de conflitos armados, alertou a ONU nesta terça-feira (1). Obrigada a se deslocar, a população tem dificuldades para ter acesso a comida.

Segundo a Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA), a produção agrícola do país atingiu, em 2015, 54 pontos percentuais abaixo da média de anterior à crise, apesar de registrar aumento de 10% em 2014.

Segundo a última avaliação de cultivos e segurança alimentar feita pela ONU, as colheitas de cereais diminuíram no ano passado e o volume de produção agrícola foi estimado em 839.000 toneladas, um milhão de toneladas menos que a média registrada antes da crise.

“Os últimas números são motivo de preocupação, não só porque as pessoas passam a pular refeições e reduzir as porções, mas também porque optam por alimentos menos nutritivos que lhes fornece muitas menos proteínas e vitaminas das que necessita”, garantiu o representante da FAO no país, Jean-Alexandre Scaglia.

Na República centro-Africana, metade da população sofre com a fome e três quartos dependem da agricultura, que foi fortemente afetada pela alta dos preços dos alimentos básicos, as más colheitas e a interrupção dos mercados.

Como consequência da insegurança, segundo o relatório, as mortes e saques reduziram o número de cabeças de gado a quase a metade em comparação com os níveis anteriores à crise. As capturas de pesca caíram também caíram em 40% em 2015, em comparação a 2012, e o poder aquisitivo diminuiu em um terço neste último período.

O PMA e a FAO, que necessitam de 175 milhões de dólares para ajudar a população, estão trabalhando para fornecer alimentos e sementes durante o período de semeadura e para vacinar o gado em grande escala, apontou a nota.

A República centro-Africana vive um tumultuado processo de transição desde que, em 2013, os rebeldes Séléka derrubaram o presidente François Bozizé, suscitando uma onda de violência sectária entre muçulmanos e cristãos que causou milhares de mortos e obrigou cerca de um milhão de pessoas a abandonar seus lares.

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Publicado em Agricultura

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