GADO EM PERIGO

Cruzamentos indiscriminados ameaçam diversidade genética do gado, alerta FAO

Uma centena de raças de gado desapareceu entre os anos 2000 e 2014, estima a FAO

Foto: EFE/Fernando Bizerra Jr.

A diversidade genética do gado no mundo está ameaçada, com 17% das raças em risco, devido, principalmente, ao cruzamento genético indiscriminado, revelou um relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

A diretora de produção animal FAO, Beate Scherf, disse nesta segunda-feira à Agência Efe que o avanço da inseminação artificial na década de 1950 tornou mais fácil transportar o material genético animal do mundo desenvolvido aos países em desenvolvimento, interessados em aumentar a produtividade.

“Durante um tempo, se ignorou que os (novos) animais deviam se adaptar ao meio ambiente”, afirmou ela, ressaltando que nos países em desenvolvimento as condições para produzir não são tão favoráveis.

Neles influem fatores como a diferença de temperatura, clima, altitude e, inclusive, a disponibilidade de alimentos para o gado. Isto faz com que nem sempre a importação de filhotes e sêmen dos animais nos países em desenvolvimento seja sinônimo de maior produtividade.

Segundo a FAO, se o cruzamento genético não for feito corretamente, existe o risco de serem perdidas características valiosas como a habilidade para se adaptar às dificuldades do entorno. Como consequência do cruzamento indiscriminado e outras ameaças – uso crescente de raças não autóctones, o declive dos sistemas de produção criador de gado tradicional e o abandono das raças consideradas pouco competitivas, entre 2000 e 2014 – uma centena de raças desapareceu.

O último relatório da FAO sobre a situação dos recursos zoo-genéticos mundiais destacou que 17% das raças de animais de fazenda (1.458) estão em perigo de extinção, contra 15% registrado em 2005. Em contrapartida, a situação real de 58% das raças analisadas é desconhecida por conta da falta de dados.

O maior número de raças ameaçadas se localiza na Europa, a região do Cáucaso e na América do Norte, onde as indústrias criadoras de gado estão muito especializadas e costumam usar um número reduzido de raças para produzir. Atualmente, são empregadas 38 espécies e 8.774 raças diferenciadas de aves e mamíferos domésticos.

Perante desafios como a mudança climática, as doenças, a pressão sobre os recursos e as novas demandas do mercado, a FAO defendeu que a diversidade genética permite aos agricultores e criadores de gado melhorar as espécies e adaptá-las às novas circunstâncias.

Segundo o relatório, 64 países estabeleceram um banco de genes animais e outros 41 estão se planejando para conservar esse material, uma tendência que, apesar do alto custo, tem aumentado com relação a 2007, quando só havia bancos em uma dezena de Estados.

“Agora, os países em desenvolvimento pensam que é algo útil. Antes, existia a ideia de que se não produziam mais não valia a pena”, afirmou Beate.

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Publicado em Pecuária

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