Petrolíferas

Desvalorização cambial ameaça petrolíferas latino-americanas, diz Moody’s

As grandes petrolíferas e as empresas de bens de consumo da América Latina podem enfrentar dificuldades pela acentuada depreciação cambial das moedas dos países da região em relação ao dólar, segundo um relatório apresentado nesta quinta-feira em São Paulo pela agência de classificação de risco Moody’s.

As grandes petrolíferas e as empresas de bens de consumo da América Latina podem enfrentar dificuldades pela acentuada depreciação cambial das moedas dos países da região em relação ao dólar, segundo um relatório apresentado nesta quinta-feira em São Paulo pela agência de classificação de risco Moody’s.

“As gigantes petrolíferas Petrobras (Brasil) e Pemex (México) enfrentam pagamentos de juros atrelados ao dólar e investimentos mais custosos que os da maioria das outras empresas integradas de petróleo latino-americanas”, disse no relatório Bárbara Mattos, vice-presidente e analista sênior da agência.

Para a Moody’s, a desvalorização das moedas da América Latina frente ao dólar em 2015 e 2016 afetará o fluxo de caixa de empresas com “dívidas significativas denominada em dólares” e vencimentos nesse período.

Em contrapartida, a agência disse que o câmbio, com um dólar forte, oferece “vantagens consideráveis” para os negócios com base exportadora e que têm a maioria de suas despesas em moeda local.

“Ao longo da última década, a América Latina atraiu financiamento substancial de dívida internacional, como consequência da sua força econômica”, disse Mattos.

No entanto, ressaltou a analista, “recentemente e à medida que as moedas locais perdiam espaço para o dólar e para outras moedas fortes, os pagamentos de juros pelos tomadores e outros custos subiram”.

Nesse cenário, acrescentou Mattos, as empresas que utilizam “principalmente” financiamento estrangeiro, mas obtêm a “maior parte” de faturamento no país, tornam-se “mais vulneráveis” e enfrentam “pressão imediata”.

O relatório “Exportadores de Produtos Vulneráveis, Companhias Aéreas Frágeis, Petróleo e Setor de Bens de Consumo” indicou igualmente que esse enfraquecimento das moedas locais “aumenta os custos de produção”, que muitas vezes não podem ser repassados aos consumidores.

Mattos citou algumas empresas que por ter um foco regional, podem ser mais vulneráveis diante dessas condições, como a chilena SMU, a mexicana-americana La Gloria Foods e as peruanas InRetail Consumer, Maestro Peru e Automotores Gildemeister.

Menos vulneráveis à depreciação cambial, destacou o relatório, aparecem os setores de construção, siderurgia, açúcar e etanol e telecomunicações.

Por exemplo, a brasileira Votorantim Cimentos, apesar de ter uma dívida denominada em moeda estrangeira maior do que a de outras empresas da construção, gera 30% de seu faturamento no exterior por meio de operações cambiais internacionais.

As também brasileiras Raízen e Biosev, do setor de açúcar e etanol, compensam a queda do preço internacional de seus produtos com a desvalorização do real, enquanto Telefonica Brasil e Oi “limitam seu risco cambial através de operações ‘hedge’ (de proteção)”.

Os setores químico, metalúrgico e de papel e celulose, que dependem da exportação, se beneficiam mais do que outras áreas no mesmo cenário cambial, como ocorre com as produtoras mexicanas de químicos Alpek, Mexichem e Consolidated Energy Finance, e a petroquímica Braskem.
Assim, concluiu o documento, a Vale e as fábricas de celulose Fibria e Suzano (Brasil) e CMPC e Celulosa Arauco y Constitución (Chile) “tendem a ser favorecidas tanto por exportações mais competitivas como por volumes mais elevados de produção”.

Twitter: efeagrobrasil