DIA INTERNACIONAL DA CERVEJA

Dia Internacional da Cerveja: Brasil aposta em produção artesanal com ingredientes exóticos

Há cervejas no país com frutas regionais como cupuaçu, maracujá, tangerina, além de rótulos com pinhão e erva mate.

Foto: EFE/Geoff Caddick

Nos bares e supermercados brasileiros está mais comum encontrar cervejas especiais, que não fazem parte dos rótulos das marcas tradicionais e de produção de grande escala, ou ainda ouvir pessoas que pensam em produzir cerveja por conta própria. As cervejas artesanais, que são aquelas produzidas de forma caseira ou em bares sem compromisso com grupos econômicos, aumentam em 17% ao ano no país, consolidando uma nova tendência de consumo.

Esse fenômeno foi impulsionado nos últimos dez anos pela maior procura dos brasileiros por produtos diferenciados pelos sabores, qualidade e experiência sensorial diversa. Há cervejas no país com frutas regionais como cupuaçu, maracujá, tangerina, além de rótulos com pinhão e erva mate.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), Carlo Giovanni Lapolli, as diferenças de produção são o fator essencial para a mudança do hábito cervejeiro no Brasil.

O cervejeiro coloca os ingredientes buscando fatores sensoriais, como aroma, sabor e textura, deixando de lado a economia e o aspecto financeiro. Usamos cevada ao invés do extrato de milho, por exemplo, preocupação que não existe nas marcas populares”, explica ao Efeagro.

Atualmente, a Abracerva estima a existência de 600 cervejarias artesanais no Brasil e uma produção média de 5 milhões de litros por mês. Este volume está abaixo do total nacional,  estipulado em mais de 1 bilhão de litros pela escola artesanal Instituto da Cerveja, .

O volume produzido acompanha a excessiva demanda do produto, o que coloca o Brasil na terceira posição dos maiores mercados de cerveja, atrás apenas dos Estados Unidos e Alemanha, o que gera uma corrida por produção e consequente desqualificação da bebida nacional.

“O consumo brasileiro exige uma quantidade de cevada que o agricultor não consegue suprir (…) É evidente que as grandes empresas de cerveja utilizam outros grãos, como milho, arroz e até mesmo alpiste”, conta ao Efeagro o pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas, Alisson Chiorato.

Preços e objetivos

As cervejas artesanais, embora sucesso entre os apaixonados pela bebida, são vendidas por um valor maior do que as populares, em virtude da qualidade dos produtos utilizados, como cereais nobres e importados, entre eles o lúpulo e o malte.

“Nos Estados Unidos e na Europa, o valor da cerveja artesanal é de 2 a 3 vezes maior que o da cerveja comum, enquanto no Brasil essa proporção é de 5 a 10 vezes. Isso influencia na decisão do consumidor e impede que o negócio cresça mais”, explica Lapolli.

Outro fator é a alta carga tributária, que é indiscriminada entre grandes e pequenos produtores, que têm de arcar com os mesmos 56% sobre o valor do produto, segundo especialistas.

“O mercado de cervejas sofre uma alta tributação, tanto em escala estadual como federal, o que faz que os pequenos produtores, por causa do baixo volume com que trabalham, tenham de cobrar preços mais caros”, acrescenta o presidente da Abracerva.

Para ele, diante das limitações para comercialização e expansão das cervejas artesanais, o grande desafio da Associação é “conscientizar” o brasileiro para democratizar e ampliar seu consumo.

Territórios dominados pelas artesanais

De acordo com a pesquisa do Instituto da Cerveja, 91% das cervejarias artesanais brasileiras estão concentradas nas regiões Sul e Sudeste, as mais ricas e do país. Além desse aspecto econômico e dos altos contingentes populacionais, Lapolli relaciona o aspecto cultural e a ligação dos povos com a cerveja através da influência dos imigrantes da região, como os alemães que se instalaram no Sul.

Por outro lado, Lapolli ressalta o crescimento da produção de cervejas artesanais no Norte e Nordeste do país, principalmente pela diversidade de ingredientes regionais e muitas vezes exóticos, entre eles o cupuaçu, uvaia, frutas cítricas, castanhas e açaí.

No sul do país, existem bebidas com o incremento de sementes como o pinhão e de ervas usadas na produção de outra tradicional bebida, o chimarrão.

 

Twitter: efeagrobrasil