Transgênicos

Edição genética é promessa da biotecnologia para a agricultura

Possibilidade de interferir no genoma sem alterar a estrutura do DNA deve reduzir os possíveis riscos da transgenia

(Foto: EFE/Cézaro De Luca)

A introdução de novas técnicas para a alteração genética de plantas, a partir do conceito de edição gênica – onde enzimas identificam, cortam e substituem partes de DNA, sem alterar sua estrutura ou tamanho -, deve modificar os dilemas atuais acerca da aplicação dos transgênicos na agricultura, em oposição à tradicional introdução de genes de outros organismos, por meio de bactérias.

“Com esse método, seria praticamente impossível diferenciar plantas transgênicas e não-modificadas”, explica o engenheiro agrônomo Marcelo Gravina, especialista em biotecnologia.

Por outro lado, o especialista afirma que as alterações não serão aleatórias como hoje, podendo assim reduzir a potenciais riscos de mutações não desejadas.

Apesar de ser um dos pilares do aumento da produtividade no campo, da redução de custos com proteção contra pragas e dos melhoramentos sensíveis dos alimentos, os efeitos da transgenia para a saúde e para o meio ambiente ainda são controversos, tanto para cientistas como para consumidores.

Segundo dados oficiais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), já foram aprovadas, para uso no Brasil, 114 alterações genéticas, que vão desde plantas para agricultura (62% do total) a mosquitos e vacinas animais.

Entre as culturas agrícolas brasileiras que mais utilizam variedades transgênicas no plantio estão a soja, cujos índices chegam a 96,5% de organismos geneticamente modificados, o milho (88,4%) e o algodão (78,3%).

Outra possibilidade para os próximos anos é a aplicação da transgenia em animais, principalmente os fornecedores de carne, como bovinos, suínos, aves e peixes.

“Já sabemos do salmão transgênico, cujas modificações facilitam o crescimento do peixe e uma maior produção de carne. Para o futuro, isso pode ser expandido a outras espécies”.