El Niño

El Niño causa prejuízos com excesso de chuvas na América do Sul e seca no Sudeste Asiático

Fenômeno destrói casas no Chile ao mesmo tempo que arruina à agricultura da Tailândia, Indonésia e Filipinas.

Foto: EFE/Gaspar Ruiz-Canela

O El Niño, fenômeno meteorológico que altera o equilíbrio no Oceano Pacífico, ameaça acentuar as secas no Sudeste Asiático depois de causar excesso de chuvas em partes da América do Sul.

Os especialistas alertam que a seca causada pelo El Niño nessas regiões durante a primeira metade do ano pode se prolongar por vários meses, com consequências desastrosas.

A Tailândia já afirma este ano que seu PIB sofreu uma queda de 0,52% devido à queda nas colheitas pela escassez de chuvas. A Indonésia e as Filipinas estimam que seus setores agrícolas tenham sofrido perdas milionárias.

Nom, uma senhora tailandesa octogenária que mora na província central de Suphanburi, lamenta que eles tenham perdido a primeira colheita de arroz do ano correndo o risco de perder a segunda se não chegarem as chuvas.

“Não me recordo de uma seca como essa há no mínimo 20 anos”, conta à Efe Nom, sentada na varanda de sua casa entre os campos de arroz e um canal que apresenta apenas alguns charcos no solo, no distrito de Don Chedi, a norte de Bangkok, capital tailandesa.

Na opinião de Nom, ela vai conseguir retirar da segunda colheita do ano para sua família de cinco pessoascerca de 50.000 bat (aproximadamente 1.400 dólares) com a venda dos grãos produzidos nos 1,44 hectares de terra que cultivam.

As rachaduras na terra seca já aparecem pelo campo e até as plantas mais verdes não amadureceram o suficiente para a colheita.

Os agricultores tailandeses, que em muitas partes do país produzem duas colheitas anuais, lamentam os baixos preços do arroz e as dívidas que tiveram que contrair para comprar fertilizantes e maquinaria.

Alguns recorrem a bombas para tirar água de alguns canais, mas as autoridades locais estão dando prioridade ao consumo doméstico, com esperança que em agosto aumente o nível de chuvas e alivie assim o problema.

“Todos os anos usamos água do canal quando não tem chuva, mas este ano está especialmente seco, até a água dos canais está se esgotando”, relata Suchart Nalengnit, agricultor local de 52 anos.

O governo tailandês cortou ou limitou esta semana o fornecimento de água de muitos lares de alguns distritos satélites da capital, que até agora eram considerados a salvo.

Cientistas indicam que o comportamento meteorológico tem diversos fatores, mas apontam que o El Niño acentuou as secas em parte do Sudeste Asiático.

Nas Filipinas, os agricultores obtiveram no primeiro semestre de 2015 uma das piores colheitas em anos pelas altas temperaturas e poucas chuvas, o que levou as autoridades a declarar estado de calamidade em oito províncias.

A agência meteorológica filipina PAGASA associou as condições atmosféricas ao fenômeno El Niño e previu que essas condições durarão até os inícios de 2016, com grande queda nas chuvas.

Mey Virak, coordenador de pandemias e inundações do Comitê Nacional de Gestão de Desastres em Cambodia, adverte que a corrente do rio Mekong e o lago Tonle Sap estão abaixo dos seus níveis normais.

“Apenas algumas comunidades têm água, a chuva vai chegar muito mais tarde este ano, Cambodia necessita de água agora”, explica à Efe Virak, que não citou diretamente o El Niño.

Do outro lado do oceano, no Peru, país aonde foi batizado o fenômeno relacionando-oà época natalina, foi declarado estado de emergência em 14 das 25 regiões do país pelo perigo de fortes chuvas.

As chuvas no Chile já estão causando muitos danos e destruindo casas por todo o país.

O El Niño esquenta as águas do Pacífico oriental equatorial, o que aumenta as precipitações e inundações em alguns países da América do Sul ao mesmo tempo que esfria a parte ocidental do oceano, reduzindo as chuvas em parte do Sudeste Asiático.