GRIPE AVIÁRIA

Estrela do Natal francês, foie gras fica mais caro por causa da gripe aviária

O setor calcula que a produtividade diminuiu 26% com relação ao ano passado, por causa da gripe aviária, e 44% se comparado a 2015.

EFE/ Christian Hartmann

Tradicionalmente, muitas das mesas na França têm foie gras nas festas de Natal, por se tratar de um dos produtos culinários de maior orgulho do país, mas neste ano a presença pode ser menor devido a um brusco aumento de preço por causa da gripe aviária.
De acordo com alguns fabricantes, a alta de 25% no valor do fígado de patos e gansos superalimentados é consequência das catástrofes provocadas pelo N5H8, um dos tipos mais fatais de gripe aviária. A região sudoeste da França, por exemplo, que concentra uma das maiores produções de de foie gras do país, precisou eliminar todas as suas aves no começo do ano, como única forma de conter o avanço da epidemia, e só reintroduziu os animais no fim de maio.
O setor calcula que a produtividade diminuiu 26% com relação ao ano passado, por causa da gripe aviária, e 44% se comparado a 2015. Naquele ano, a produção foi de 37 milhões de aves, contra os 23 milhões deste ano.
A lacuna não pôde ser preenchida com importação, porque os principais fornecedores – a Bulgária para patos e a Hungria para gansos – também foram afetados pela N5H8, propagado por todo a Europa pelas aves migratórias. No entanto, não deve faltar foie gras nos mercados, já que muitas empresas tinham fígado congelado.
O deve acontecer é que nem todos os tipos serão encontrados nas prateleiras. Para tentar ajudar os produtores já propusessem novas combinações, que vão desde o foie gras com pimentão de Madagascar até foie gras na cachaça.

EFE/ cedida por “Acción y Comunicación”

Na região das Landas, o epicentro do foie gras, a crise da gripe aviária deixou cicatrizes visíveis, mas também fortaleceu o setor para evitar problemas no futuro.
“Tivemos duas crises de gripe aviária e vamos fazer todo o possível para não termos a terceira”, afirmou à Agência Efe Arnaud Tauzin, prefeito de Saint-Server, que tem menos de 5 mil habitantes e, além de sediar cerca de dez empresas desse produto, é considerada a capital europeia da pena.
Produtor ele mesmo de patos, Tauzin acha que o preço atual é “muito justo” porque os aumentos gerados pela gripe aviária aconteceram após 15 anos de preços baixos provocados pela produção excessiva. Além disso, apontou, desde a crise do fim do ano passado, todas as fazendas tiveram que fazer adaptações que equivalem a gastar de 0,5% a 10% do seu faturamento.
As aves são submetidas a exames 48 horas antes do transporte e as condições de transferência também foram analisadas para evitar qualquer tipo de contágio. As fazendas precisam ter sistemas de limpeza e higienização e os caminhões de transporte devem ter redes que impeçam que excrementos e penas escapem no trajeto, pois essas são as duas formas com que o H5N8 se expande mais rapidamente.
Um sacrifício que o sudeste francês assumiu com resignação, mas sabendo que é necessário para manter um ganho essencial para a região. No departamento de Landas, de onde sai 40% do foie gras francês, 100 mil funcionários dependem direta ou indiretamente deste produto, uma importância que em alguns municípios é muito superior, porque a economia gira em torno da criação de patos e gansos.

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