JOHN DEERE

John Deere aposta no mercado brasileiro em nova fase com foco em serviços agrícolas

Chamado de FarmSight, projeto consiste em passar a oferecer cada vez mais serviços e consultoria

  • Foto: Sebastião Moreira
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Gigante internacional do setor de maquinário agrícola, a multinacional John Deere se prepara para lançar nos próximos dois anos uma série de serviços e assistências pós-venda com o intuito de mudar o seu foco de atuação, deixando de vender “máquinas” para oferecer “consultoria agrícola”, como explica ao EFE Agro o Diretor de Planejamento Estratégico e Experiência do Cliente para América Latina, João Pontes.

“Realmente, nesse momento é preciso acelerar investimentos, trazer novas tecnologias para o nosso produtor para que ele possa ser mais rentável e aumentar sua produtividade. Esse é o ponto central de toda a nossa atuação na área de soluções integradas”, destaca Pontes.

Chamado de FarmSight, o projeto consiste em passar a oferecer cada vez mais serviços e consultoria junto com a máquina, tornando a marca parceira do produtor não apenas na colheita, mas na tomada de decisão e nas análises de clima, mercado e plantio.

“Nesse momento é preciso acelerar investimentos, trazer novas tecnologias para o nosso produtor para que ele possa ser mais rentável”

O especialista em Soluções para Gerenciamento Agrícola (AMS) da John Deere Brasil, Maurício de Menezes, explica que o setor está “vivendo a otimização da máquina, fazendo com que ela chegue o mais próximo possível do desempenho máximo para o qual ela foi projetada”.

“Ser o consultor do cliente é exatamente o que queremos. Com isso conseguimos ter informação diferenciada para desenvolver soluções de forma mais exata do que se obtivéssemos essas informações por outras vias”, ressalta Menezes.

Entre as soluções do FarmSight estão desde o piloto automático das máquinas (já disponível) até o envio de informações de umidade, fertilidade e produtividade do solo por meio de sensores que se comunicam diretamente com uma central, fornecendo análises precisas do terreno no qual se está empregando a tecnologia e evitando, por exemplo, o semeio ou aplicação cruzada.

“Em termos de tecnologia, nós somos hoje o único fabricante de máquinas que fabrica a própria tecnologia, o que nos dá uma vantagem porque adaptamos melhor nossa tecnologia às nossas máquinas, diferente de quem pega a tecnologia de terceiros e instala na sua máquina, com algumas perdas e adaptações no final do processo”, explica Menezes.

Sem crise

A empresa, no entanto, enfrenta ainda o custo-Brasil e a situação de crise econômica, quando dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) dão conta de uma queda de 6,8% na venda de máquinas agrícolas em setembro deste ano se comparado ao mesmo período de 2014. Em relaçao ao mês anterior (agosto), a queda nas vendas de setembro foi de 6,8%.

“Os produtores brasileiros estão saudáveis, eles vêm de vários anos de crescimento em termos de produção e valor da sua produção”

Contudo, para o Diretor de Planejamento Estratégico , João Pontes, os números da economia brasileira não devem abalar  os planos de expansão da marca no país.

Ele ressalta que a desvalorização do real frente o dólar tem compensado a queda no valor das commodities, ajudando os produtores brasileiros a terem uma rentabilidade em reais “razoável”, tornando-o  “saudável” financeiramente mesmo diante de um cenário de retração no mercado interno.

“A gente vê com isso que os produtores brasileiros estão saudáveis, eles vêm de vários anos de crescimento em termos de produção e valor da sua produção”, destaca.

Sobre os números da Anfavea, Pontes atribui a queda nas vendas à queda de confiança do agricultor brasileiro, que segundo o ICAgro, medido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), chegou a 86,6 – índice considerado pessimista.

Ainda segundo o ICAgro, no primeiro trimestre dste ano apenas 13% dos produtores afirmavam que investiriam mais em máquinas e equipamentos.

“Existe uma falta de confiança para continuar realizando os grandes investimentos que os produtores costumam fazer para continuar produzindo, por isso a queda no mercado de máquinas. Mas estamos bastante confiantes de que, à margem dessa situação econômica e dessa redução de crédito que se vive hoje no Brasil, a agricultura vai retomar o crescimento”, avalia Pontes.

Custo-Brasil

Com previsão de implementação total, em 2018, a John Deere espera revolucionar o negócio de tratores e máquinas agrícolas com o FarmSight, focando-se cada vez mais em soluções para o produtor e proporcionando uma mudança de cultura no campo.

“É uma ação justamente no sentido de tornar o cliente mais competitivo, e um produtor brasileiro mais competitivo não significa simplesmente parar no tempo e reduzir custos com equipamentos”

“É uma ação justamente no sentido de tornar o cliente mais competitivo, e um produtor brasileiro mais competitivo não significa simplesmente parar no tempo e reduzir custos com equipamentos, mas trazer equipamentos com novas tecnologias e conceitos que tornarão o produtor mais eficiente e com uma maior produtividade”, avalia o Diretor para a América Latina da John Deere.

De acordo com ele, as soluções já disponibilizadas pela empresa no Brasil, como a aplicação inteligente de insumos e o controle de plantio cruzado, por si só já geram economia e aumento de produtividade para o produtor, com benefícios inclusive ambientais

A terceira fase, ainda a ser implementada, prevê a transferência de dados via rede, o que ainda esbarra em “entraves inerentes do Brasil  principalmente na questão das telecomunicações e na transmissão de dados online em tempo real para podermos oferecer mais do que já estamos oferencendo para o produtor rural”, conta Pontes.

Com isso, o diretor revela que a John Deere investe em soluções próprias para driblar as deficiências em infraestrutura do país e a crise econômica, expandindo mercado em pleno cenário de retração econômica.

“Realmente seria mais fácil se tivéssemos uma infraestrutura mais robusta, mas já que ela não existe, e isso é muito característico nosso, vamos trabalhar em soluções que possam ser ampliadas. Com isso, eu diria que a estratégia que compusemos para o Brasil vem acontecendo dentro do ritmo que foi planejado”, conclui Pontes.

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Publicado em Economia

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