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Justiça revista sede da Lactalis e fábrica onde começou surto de salmonella

A Lactalis diz que ainda não encontrou a origem da contaminação, mas reconhece que, no verão passado, já tinha detectado focos de salmonella em instalações

EPA/PHILIPPE CHEREL

Dezenas de policiais participam nesta quarta-feira de batidas na sede da empresa Lactalis, em Laval (oeste da França) e em outras plantas do gigante alimentar, em particular a de Craon, onde ocorreu uma contaminação de leite infantil que provocou dezenas de casos de salmonella em bebês.

Uma porta-voz da empresa confirmou à Agência Efe que a operação se desenvolveu nesta manhã, sem entrar em mais detalhes.

Segundo a emissora “France Info”, cinco instalações da Lactalis – incluindo a sede da empresa para a Europa em Choisy-le-Roi, na região de Paris -, são alvo destas revistas, dirigidas por investigadores da Gendarmaria de Angers e do Escritório Central de Luta contra as Infrações ao Meio Ambiente e à Saúde.

Os juízes instrutores atuam no marco do procedimento judicial aberto no final de dezembro por engano agravado pelo perigo para a saúde humana e por descumprir o procedimento de retirada de produtos.

Um dos objetivos é determinar quem sabia da contaminação que ocorreu na fábrica e desde quando.

No começo de dezembro, as autoridades sanitárias francesas estabeleceram o vínculo entre um surto de salmonella entre bebês, que tinha sido constatado desde agosto, e o leite em pó infantil fabricado em Craon.

Isso deu lugar a três retiradas sucessivas de lotes de produtos que tinham saído dessa fábrica durante esse mês. No entanto, na semana passada foi revelado que o leite e papinhas desses lotes teoricamente retirados foram vendidos em supermercados ou farmácias e continuaram sendo repartidos em em creches e hospitais.

De acordo com as autoridades de saúde, pelo menos 35 bebês adoeceram de salmonelose na França por causa dessa contaminação durante os últimos meses de 2017, e outro na Espanha.

A Lactalis afirma que ainda não conseguiu determinar com precisão a origem dessa contaminação, ainda que reconheça que no verão passado já tinha detectado a presença de salmonella nas suas instalações de Craon.

O Governo francês, que exigiu que a Lactalis recupere e destrua todos os produtos fabricados em Craon – 12 milhões de latas de leite em pó e papinhas para bebês, segundo a porta-voz da companhia -, que foram exportadas a 83 países, anunciou ontem que reforçará a obrigação de as empresas comunicarem os resultados de controles sanitários que sejam desfavoráveis.

O Executivo prevê, além disso, um plano de controle específico sobre a cadeia de produção e os produtos lácteos em pó para crianças, que estará em vigor em um prazo de três meses.

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Publicado em Alimentação e bebidas

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