IRÃ

A luta para salvar gado e sementes após o terremoto do Irã

No Irã, muitas pessoas vivem da agricultura e pecuária, sofrendo, portanto, com chegada do frio e seus efeitos sobre o campo

ABEDIN TAHERKENAREH/EFE

Em meio à destruição, agricultores e criadores de gado das cidades mais afetadas pelo terremoto do Irã tentam salvar o maior número possível de sementes e animais para não morrerem de fome neste inverno.

Nessas localidades da província ocidental de Kermanshah, a maioria das pessoas vive da agricultura e pecuária. Por isso, elas sofrem não só pela perda de seus entes queridos e a destruição de suas casas, mas também pela chegada do frio.

Segurando uma pá com mãos secas e castigadas pelo frio, a agricultora Fereshte Irandust, de 30 anos, vasculhava as ruínas de sua casa em Kalale Yale para recuperar sementes soterradas entre os escombros.

Irandust explicou à Efe que necessitava resgatar os grãos “para poder semear-los e não morrer de fome nos dias frios do inverno “.

O forte terremoto que assolou Kermanshah no domingo passado deixou 436 mortos e mais de 10.000 feridos, segundo os últimos números oficiais, e destruiu tanto as casas como o modo de vida dos camponeses.

Tanto para Irandust como para o resto dos moradores de Kalale Yale, é imprescindível salvar as colheitas, seu meio de subsistência.

Embora o Irã sofra de escassez de recursos hídricos, a província de Kermanshah tem boas condições e é um dos núcleos agrícolas do oeste do país, que produz grãos, verduras, frutas, e outros produtos.

“Veja o meu trigo: nesta semana iríamos semear-lo, mas com o terremoto todo o processo foi adiado e dificultado “, lamentou com voz desgarrada a jovem agricultora, enquanto plantava sementes de forma rudimentar.

Com a cabeça erguida mas com um olhar que denotava angústia e fadiga, Irandust se queixou de não ter recebido nenhuma ajuda por parte do Governo para retirar os escombros da sua casa. Ela também expressou seu descontentamento pelo fato de que as autoridades locais lhe pediram seu cartão de identidade como requisito para dar-lhe uma barraca.

“Como posso encontrar o meu documento de identidade se ele está debaixo dos escombros?”, se perguntou Irandust, mostrando, com a mão, sua casa totalmente destruída.

A partilha de alimentos e água se acelerou nos últimos dias, fornecidos principalmente por cidadãos do todo o país. Ainda assim, os afetados seguem dormindo em barracas ou mesmo sob nenhum abrigo.

Nos povos menores, como Kalale Yale, nem sequer vieram equipes de resgate para retirar os escombros nos primeiros dias, exaltando ainda mais os ânimos dos cidadãos.

Muitos, como Hayat, uma mulher de uns 40 anos que é parente de Irandust, resgataram eles mesmos seus animais, ainda que alguns tenham morrido no terremoto.

Entre lágrimas, Hayat mostrou à Efe sua vaca que morreu no terremoto, enquanto várias galinhas circulavam entre as ruínas dos edifícios.

“Não permiti que minha vaca ficasse sob os escombros, nós a tiramos junto à família “, disse a mãe de seis filhos, que perdeu também sua casa recém construída.

Esta família de criadores de gado tinha, no total, duas vacas prenhes. A segunda ficou com um ferimento na costas e por isso a mulher expressou seu temor de que o bovino tenha perdido seu bezerro.

A morte de vacas, cordeiros e o destino de seus corpos, que entraram em decomposição, suscitou também o medo da transmissão de doenças aos moradores das cidades.

A outra grande preocupação dos habitantes de região são seus precários alojamentos. Com a chegada do inverno, as tendas não serão suficientes para protegê-los do frio, por isso eles pedem casas prefabricadas.

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