Alimentação

Migração e desenvolvimento no campo são preocupações da FAO para a fome no mundo

Neste Dia Mundial da Alimentação, órgão ligado à ONU alerta para os desafios ligados à agricultura, sucessão rural e movimentos populacionais

(Foto: Mario Lopez/EFE)

Os recorrentes fluxos migratórios, a atratividade e segurança proporcionada pela vida no campo e a ampliação da produção de alimentos, associados à queda do seu desperdício, são os principais focos da FAO, organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, no incentivo ao desenvolvimento rural e na promoção do combate à fome.

Segundo a instituição, a constante movimentação populacional da atualidade é fruto não apenas das instabilidades políticas e dos conflitos violentos, mas também da fuga, por parte dos migrantes, de situações precárias de vida, como a fome e a pobreza extrema. O problema, conforme a FAO, não está na migração em si, mas sim no modo desordenado que vem acontecendo.

Outro tema vital para a melhora do abastecimento mundial de alimentos é o desafio da sucessão no campo. Com a vida atrativa das cidades, os jovens estão sendo desestimulados a levar a vida no ambiente rural ou tocar empreendimentos familiares agrícolas. Ainda segundo a instituição, no Brasil, a média de idade do agricultor varia entre 50 e 55 anos.

“A questão é realmente muito preocupante. Precisamos debater estratégias para inverter o êxodo rural, tornar a vida longe das cidades mais atrativa, tanto para quem nasce lá como para quem não”, declarou o representante da Fundação das Nações Unidas para a Alimentação (FAO) no Sul do Brasil, Valter Bianchini.

Conforme dados da FAO, 75% da população mundial em situação de extrema pobreza subsiste da agricultura e do ambiente rural. Dessa maneira, a criação de condições para que o agricultor se desenvolva é uma das principais maneiras de evitar seu êxodo, seja para o ambiente urbano, seja para países mais desenvolvidos.

Desperdício e Produção

De acordo com dados da FAO, cerca de um terço dos alimentos produzidos no mundo não é consumido. Isso equivale, anualmente, a cerca de 1,3 bilhão de toneladas de comida, o que seria suficiente para abastecer quatro vezes a população que passa fome no planeta, estimada em 800 milhões de pessoas. Em termos de recursos, quase um trilhão de dólares são perdidos com o desperdício.

Parte da produção vai para o lixo de duas maneiras: ou por perdas de produção, quando são mal-distribuídas e estragam antes de chegar ao consumidor, o que exige maior capacidade logística; ou por desperdício pessoal, sendo jogada fora por vendedores e consumidores.

Em relação a esse último fator, países desenvolvidos desperdiçam muito mais do que os com populações mais famintas: as médias europeias e norte-americanas variam entre 95 a 115 quilos de alimentos desperdiçados por pessoa anualmente, enquanto na África e no Sudeste Asiático esses índices variam entre 6 e 11 quilos.

Apesar dos números apresentados, a produção mundial de alimentos cresce a cada ano, sustentada pelo desenvolvimento de tecnologias rurais, como maquinário, defensivos agrícolas, capacitação técnica e procedimentos biotecnológicos. Segundo a FAO, o mundo produz 123% da quantidade de alimentos que necessita.

Marcados com: ,
Publicado em Agricultura     Economia

Twitter: efeagrobrasil