Desemprego

Na Espanha, povoados com pleno emprego são fruto do desenvolvimento rural

Por causa da agricultura, é difícil encontrar desempregados em mais de 50 vilas com menos de 10 mil habitantes

Vista de uma rua em La Vilavella. Efe/Fotgrafia cedida.

Por mais que seja difícil imaginar povos nos quais o turismo e a agricultura permitam o alcance do pleno emprego, ou seja, com taxa de desemprego de menos de 5%, eles existem e estão no meio rural. Benasque, Valenzuela e La Vilavella são apenas exemplos dos vilarejos escondidos numa Espanha cuja população sem trabalhar chega a 16,7%.

Segundo as estatísticas oficiais do país europeu, são mais de cinquenta os povoados nessas condições, onde é difícil conhecer um vizinho que se levanta pela manhã sem possuir um local de trabalho. As populações dessas cidadezinhas não chegam a 10 mil habitantes.

No coração dos Montes Pirineus, muito próximo à fronteira entre Espanha e França, está. por exemplo, a vila de Benasque, que tem apenas 51 cidadãos desempregados, de um total de 2041. O segredo dos locais está nos atrativos turísticos, como as montanhas ideais para a prática de esqui.

Vista de Benasque. Efe/Fotografia Cedida

O prefeito, José Ignacio Abadías, explicou ao Efe Agro que muitos dos contratos de trabalho da cidade são “temporários”, especialmente para os momentos de alta temporada para o turismo de montanha, durante o verão e o inverno. No setor de hotelaria, contudo, os trabalhadores desfrutam de maior estabilidade.

O governante considera essencial que a cidade atraia investidores e industriais, para o desenvolvimento de empreendimentos na região, como o engarrafamento das águas da serra e a melhora das estradas de acesso, afim de manter-se no caminho do pleno emprego.

A 900 km de Benasque, na província de Andaluzia, está o povo de Valenzuela, em Córdoba, que pode vangloriar-se de ser um dos municípios com as mais baixas taxas de emprego do país ibérico: apenas 24 dos seus 1208 habitantes estão buscando, ativamente, um trabalho.

A economia do vilarejo, diferentemente da de Benasque, baseia-se quase que exclusivamente na colheita de azeitonas e no cuidado das oliveiras durante todo o ano, conforme conta o prefeito, Antonio Pedregosa. O emprego “geralmente é muito dividido”, o que permite que a cidade possua bons índices de ocupação, destaca.

Imagem de Valenzuela, um dos povos com menor taxa de desemprego da Espanha, durante as festividade de Corpus Christi. EFE/Olga Labrador.

A ajuntamento possui, além disso, diretrizes para o trabalho local, que “tentam se adaptar” aos perfis dos empregadores do município, já que o objetivo é “sempre agir para o povo”.

Já na região do Levante, no povoado de La Vilavella existem 68 habitantes que ainda não possuem um trabalho. O município, cuja população total é de 3243 habitantes, tem como motor econômico os laranjais, além das diversas fábricas de cerâmica da região.

A secretária do Trabalho do município, Loles Orenga, ressaltou ao Efe Agro que a boa localização de La Vilavella – próxima a cidades como Castellón e Valencia – e seus rápidos acessos a rodovias nacionais facilitam seu desenvolvimento.

A isso se soma o próprio plano de empregos da Prefeitura, que agora trabalha para gerar mais postos de trabalho com o impulso ao turismo local, mediante a restauração de minas e trincheiras da Guerra Civil, balneários naturais e paredões de escalada.

Para o presidente da Rede Espanhola de Desenvolvimento Rural, Aurelio García, estes casos demonstram que o mundo rural é um grande gerador de emprego, “apesar da fraca infraestrutura viária e tecnológica” que predomina no campo.

García defende uma melhor distribuição nos Programas de Desenvolvimento Rural, de modo que o pleno emprego chegue a mais municípios e, junto a ele, a melhora das infraestruturas locais. Além disso, crê que é fundamental que os empreendedores do meio rural invistam na diversificação das atividades econômicas para gerar mais postos de trabalho.

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