CAFÉ

No final da colheita, preços do café robusta seguem em alta, afirma Cepea

A modalidade robusta atingiu o patamar de R$ 408,68/saca de 60 kg, maior valor nominal de toda a série do Cepea, iniciada em 2001 para este produto

Foto: EFE/Narong Sangnak

Os indicadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP mostraram que, com mais de 95% da produção já colhida, os preços da variedade robusta do café brasileiro seguem em alta, tendo atingido, na última quinta-feira (13), o patamar recorde de R$ 408,68/saca de 60 kg, maior valor nominal de toda a série do Cepea, iniciada em 2001 para este produto. Segundo pesquisadores, isto se deve à menor produção desta safra no Espírito Santo.

Em termos reais, o valor está abaixo apenas das médias mensais de dezembro de 2011 e de janeiro de 2012, respectivamente R$ 412,95 e R$ 410,67 por saca.

“Com a colheita quase finalizada, o mercado já começa a direcionar as atenções à próxima safra de robusta (2017/18). Apesar de a colheita da nova temporada começar somente em abril de 2017, produtores consultados pelo Cepea indicam que os pés de cafés foram muito prejudicados pelo clima seco, sobretudo no Espírito Santo”, afirmou a entidade em nota.

Além disso, o Cepea também observa que a área plantada no estado em questão deve ser menor por conta do corte da irrigação e das altas temperaturas durante o verão e parte do outono, que levaram produtores a arrancar ou abandonar as lavouras. “Mesmo para aqueles que devem replantar estas lavouras, a colheita iniciaria somente daqui a aproximadamente três anos”, completa.

Segundo números da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), a safra de robusta deve totalizar aproximadamente 9,4 milhões de sacas, 16% abaixo da temporada anterior. Essa menor produção, inclusive, já vem limitando as exportações da variedade no Brasil, que registram volumes bem inferiores aos da safra anterior.

Para a modalidade arábica, a colheita seguiu sem problemas, mas as negociações seguem calmas. Segundo informações da entidade, produtores têm preferido selecionar os cafés e já separá-los para cumprimento de contratos. Além disso, alguns lotes da temporada 2016/17 que chegam ao mercado para negócio imediato apresentam qualidade inferior.

“Após as chuvas no início de junho, colaboradores de algumas regiões indicam que cerca de 30% dos grãos caíram dos pés. Com exceção do Cerrado, onde as chuvas foram menos intensas que nas demais regiões, muitos lotes que chegam para prova estão com qualidade inferior e têm sido classificados como bebida rio e bebida dura com xícara riada”, explicou a entidade. Nessa quarta-feira, o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica do tipo 6 bebida dura para melhor, posto na capital paulista, fechou a R$ 507,58/saca de 60 kg.

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Publicado em Alimentação e bebidas

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