Transgênicos

Papa pede “discussão responsável” sobre o uso de transgênicos

O papa Francisco insistiu em se iniciar uma “discussão científica e social que seja responsável e ampla” sobre o uso dos transgênicos. O pontífice afirmou na encíclica publicada hoje que: “é difícil emitir um juízo geral”, mas acrescentou que: “sem dúvida faz falta uma atenção especial”.

Foto: EFE/Maurizio Brambatti

O papa Francisco insistiu hoje que se inicie uma “discussão científica e social que seja responsável e ampla” sobre o desenvolvimento e o uso dos transgênicos vegetais, animais, médicos ou agropecuários.

O pontífice afirmou na encíclica publicada hoje sobre o meio ambiente que: “é difícil emitir um juízo geral” sobre os transgênicos, mas acrescentou: “sem dúvida faz falta uma atenção especial, que considere todos os aspectos éticos implicados”.

“Mesmo não havendo comprovação contundente do possível dano que a ingestão de cereais transgênicos pode causar a seres humanos, e em algumas regiões sua produção tenha provocado um crescimento econômico que ajudou na solução de outras questões, existem ponderações importantes que não devem ser relativizadas”, segundo o papa.

“Em muitos lugares, anteriormente ao início destes cultivos, se constatava uma alta concentração de terras produtivas nas mãos de poucos devido ao progressivo desaparecimento de pequenos produtores que, como consequência da perda de suas terras de exploração, se viram obrigados a retirarem-se da produção direta”, constatou.

“Os mais frágeis se transformaram em trabalhadores precários, e muitos empregados rurais terminaram migrando a miseráveis assentamentos nas cidades”, explicou Bergoglio na encíclica “Laudato si”.

O papa lembrou que a “expansão” dos cultivos transgênicos “arrasa com o complexo interligado dos ecossistemas, diminui a diversidade produtiva e afeta o presente e o futuro das economias regionais”.

“Em vários países se observa uma tendência à criação de oligopólios na produção de grãos e outros produtos necessários para os cultivos e a dependência se agrava quando pensamos na produção de sementes estéreis”, acrescentou.

Bergoglio lembrou que esta dependência “termina obrigando aos camponeses a comprar as sementes das empresas produtoras”.

O papa apontou que essa discussão “responsável e ampla” sobre a questão tem que ser “capaz de considerar toda a informação disponível e de chamar as coisas pelos seus nomes”.

Bergoglio considerou que “as vezes não se põe sobre a mesa a totalidade de informação disponível, se selecionando estas de acordo com os próprios interesses, sejam eles políticos, econômicos ou ideológicos”.

“Isso torna mais difícil criar um juízo equilibrado e prudente sobre as diversas questões, considerando todas as variáveis possíveis”, concluiu Bergoglio.