COMÉRCIO

OMC demonstra preocupação com comércio internacional, mas enxerga potencial na agropecuária do Brasil

O diretor-geral também destacou a importância agropecuária brasileira para a economia e o comércio globais.

Foto: EFE/Martial Trezzini

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), o brasileiro Roberto Azevêdo, destacou sua preocupação com os riscos que corre a economia internacional, devido ao crescimento de barreiras comerciais e à recessão global, que afeta diversos países e estimula a unilateralidade por parte dos líderes mundiais.

 

“Nos últimos anos, as trocas comerciais internacionais vêm crescendo de maneira lenta, muito em virtude da baixa atividade econômica em importantes nações, como o Brasil. Em 2016, esse crescimento foi de 1,3%, pior índice desde a crise mundial de 2008”, afirmou durante o 5° Foro de Agricultura da America Del Sur, evento realizado pelo Núcleo de Agronegócio da Gazeta do Povo, em Curitiba.

O diretor-geral também destacou a importância agropecuária brasileira para a economia e o comércio globais.

“O Brasil têm de estar no centro da discussão mundial sobre comércio e agronegócio, devido ao tamanho de sua economia, população e ao protagonismo que ocupa na produção de alimentos, posto que mais da metade das exportações brasileiras correspondem ao que é produzido no campo”.

Azevêdo, ainda, prevê que 2017 seja o sexto ano consecutivo “com evolução comercial abaixo de 6%”.

“Nós estamos passando por uma onda anti-globalização e anti-comércio. Percebemos insatisfação crescente em diferentes países, que apostam nas barreiras e medidas bilaterais como solução de problemas, o que é preocupante. No entanto, isso ainda não é uma realidade generalizada”, apontou, acrescentando que a OMC será mais importante do que nunca.

Azevêdo também criticou as posturas internacionais protecionistas que vêm sendo tomadas, resultado de uma rejeição à globalização por parte de países ricos, que vem desfazendo acordos comerciais e desarticulando blocos econômicos tradicionais, como o Nafta (EUA, Canadá, México).

“Essa atitude não vai auxiliar na superação das crises econômicas, nem no desenvolvimento global”, ressaltou.

Embora as dificuldades das relações comerciais apareçam nas previsões dos próximos meses, o diretor-geral da OMC destacou o papel da organização no setor agropecuário, especialmente os avanços conquistados na Conferência de Nairóbi, em 2015, onde a OMC revogou os subsídios agrícolas, que permitia que produtores menos eficientes de nações ricas concorressem com os campeões de produtividade em nações menos desenvolvidas, como o Brasil.

As parcelas cedidas pelos governos desenvolvidos aos agricultores baixava o preço no mercado mundial com consequentes prejuízos e desigualdade competitiva.

“Essa decisão é um importante marco para a agricultura e para a OMC. Evidentemente, há mais medidas a serem tomadas, mas a proibição dos subsídios reduzirá muitas distorções do mercado agrícola”, exaltou o diretor-geral.

 

Futuro da OMC

Sobre os objetivos futuros da organização, Azevêdo destacou a redução de burocracia, tempo e custos para as transações, que teriam um impacto financeiro “maior do que todas as taxas de importação existentes” e as regulações fitossanitárias, ponto em que o Brasil lidera a demanda pelo estabelecimento de padrões científicos.

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Publicado em Economia

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