EL NIÑO

ONU diz que ainda é preciso US$ 1,5 bilhão para enfrentar o El Niño

Mais de 60 milhões de pessoas no mundo serão afetadas por secas, inundações e frio ou calor extremos ocasionados pelo El Niño

Foto: EFE/Francis R. Malasig

Os governos e organizações humanitárias necessitam de US$ 1,5 bilhão para ajudar os países mais afetados pelo fenômeno meteorológico do El Niño, disse nesta quinta-feira em Roma a responsável da ONU, Marcy Vigoda.

A diretora de Associações e mobilização de recursos do Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários da Nações Unidas (OCHA) destacou que o número total de fundos requeridos chega a US$ 2,4 bilhões, dos quais ainda faltam US$ 1,5 bilhão.

“Necessitamos de uma resposta mais forte”, sustentou Vigoda durante um encontro organizado pela agência das Nações Unidas sobre as ações prioritárias para enfrentar o El Niño, considerado um dos mais potentes das últimas décadas.

“Alguns governos -como os da Etiópia e Filipinas- estão proporcionando fundos e liderando a resposta humanitária, mas outros países se encontram ultrapassados”, acrescentou.

As Nações Unidas estimam que mais de 60 milhões de pessoas no mundo serão afetadas por secas, inundações e frio ou calor extremos nas regiões mais atingidas, concretamente no leste e no sul da África, na América Latina e Caribe, e Ásia Pacífico.

Só na África meridional calcula-se que cerca de 28 milhões de pessoas estão passando fome, uma situação que compartilham 10,2 milhões na Etiópia, segundo dados da Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

O responsável do Programa Mundial de Alimentos (PMA) Jim Harvey alertou que, apesar de estar diminuindo o impacto do fenômeno meteorológico uma vez passado seu pico de maior intensidade, as necessidades humanitárias vão aumentar.

Harvey pediu uma “ação coletiva”, levando em conta as distintas emergências, pois -por exemplo- para maio terão se esgotado os recursos destinados à Etiópia, enquanto outros países como a África do Sul e Haiti já acumulam vários anos de seca.

Além da ameaça de fome, as pessoas afetadas enfrentam os deslocamentos, a propagação de doenças, a escassez de água e o absentismo escolar.

O representante do Unicef Sikander Khan apontou que cerca de um milhão de crianças sofrerão desnutrição severa neste ano, enquanto na América Latina deverão ser atendidos cerca de 200 mil menores.

Além disso, advertiu contra a esperança da “seca verde”, pois em algumas zonas chegaram as chuvas, mais tarde e de forma errática, por isso que apareceram cultivos que não podem ser aproveitados em muitos casos.

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Publicado em Meio ambiente e Tecnologia