ECONOMIA

Para diretor da OMC, Brasil precisa de estabilidade política para crescer

Para diretor da OMC, Roberto Azevêdo, instabilidade dificulta a recuperação econômica do gigante sul-americano.

Foto: EFE/Martial Trezzini

O Brasil precisa de estabilidade política e superar a crise para que a economia volte a crescer, afirmou hoje o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, após reunião com a presidente Dilma Rousseff.

“O que é evidente é que a estabilidade política é um componente importante para o crescimento econômico. Quanto mais rápido Brasil superar este momento de turbulência e instabilidade, melhor para sua economia e para o país em geral”, garantiu Azevedo em declarações que concedeu a jornalistas após audiência no Palácio do Planalto.

O diretor do organismo multilateral, que iniciou na segunda-feira uma visita de dois dias ao Brasil, se referiu à crise política no país após ter participado da cerimônia de assinatura presidencial da carta de ratificação por parte do Brasil do Acordo de Facilitação de Comércio da OMC.

“A economia de qualquer país não existe em um vazio; existe relação entre o momento econômico e o político. É difícil calcular qual é o grau de interferência que há entre o processo político e o desenvolvimento econômico em qualquer país, incluindo ao Brasil”, afirmou.

Para Azevedo, a instabilidade dificulta a recuperação econômica do gigante sul-americano.

A economia brasileira, em recessão, sofreu no ano passado uma contração do 3,8%, seu pior resultado nos últimos 25 anos, e os analistas preveem que este ano o PIB encolherá outros 3,6%, completando dois anos consecutivos de crescimento negativo pela primeira vez desde 1930.

Azevedo assegurou que, no nível econômico, o Brasil pode ganhar um impulso com um menor custo para suas exportações quando entrar em vigor o Acordo de Facilitação de Comércio da OMC, assinado em 2013 em Bali (Indonésia) pelos membros do organismo multilateral e ratificado esta terça-feira pela maior economia sul-americana, o Brasil.

“Calculamos que o acordo pode elevar o comércio mundial em cerca de um trilhão de dólares, a maior parte em benefício dos países em desenvolvimento, cujas exportações poderão aumentar em 730 bilhões de dólares”, garantiu o diretor da OMC ao referir-se a um tratado que pode reduzir em 14,5% em média os custos das transações comerciais mundiais.

Com o Brasil, o acordo foi ratificado até agora por 72 países, mas é necessária a ratificação de dois terços dos 162 membros da OMC, ou seja de 108 países, para que entre em vigor.

“O acordo tem uma importância enorme não só para o comércio mas também para a economia mundial. O Brasil se beneficiará com uma redução importante dos custos nas transações comerciais. O objetivo é reduzir os custos e o tempo em que uma mercadoria aguarda na fronteira”, explicou.

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