Iogurte Combustível

Pesquisa descobre técnica para transformar soro de iogurte em biocombustível

O soro residual do iogurte grego está composto, principalmente, por lactose, frutose e ácido lático.

Detalhe de iogurte caseiro, em fazenda búlgara. EFE/Vladislav Púnchev

Cientistas da Alemanha e dos Estados Unidos transformaram o soro do famoso iogurte grego em moléculas úteis para a produção de biocombustíveis e em alimento para o gado, conforme estudo divulgado nesta quarta-feira pela revista “Nature”.

Os especialistas das Universidades de Tübingen (Alemanha) e Cornell (EUA) aproveitaram a grande quantidade de resíduos líquidos gerados na elaboração desse tipo de iogurte, como o soro rico em açúcares e ácidos, para tratá-lo com determinadas bactérias.

Em geral, o soro é levado das indústrias alimentícias para “lugares distantes” para ser destruído, mas, “para que seja sustentável”, o ideal seria tratá-lo onde ele é produzido, explicou o engenheiro ambiental e microbiólogo nas duas universidades, Lars Angenent.

O soro residual do iogurte grego está composto, principalmente, por lactose, frutose e ácido lático. No entanto, quando as bactérias citadas são acrescentadas ao soro, a mistura gera mais dois tipos de ácidos: o caproico e o caprílico.

Estes últimos são denominados “antimicrobianos verdes” e podem ser administrados ao gado em remédios alternativos aos antibióticos, segundo os pesquisadores.

Além disso, um tratamento mais avançado desse soro pode produzir as moléculas necessárias para elaborar biocombustíveis, como o biodiesel dos aviões a jato.

“O mercado agrícola pode parecer pequeno, mas deixa uma pegada de carbono muito grande. A transformação do soro ácido em uma matéria-prima comestível para animais representa um bom exemplo sobre os ciclos fechados que necessitamos em uma sociedade sustentável”, frisou Angenent.

Sua equipe quer avançar nesta pesquisa para poder aplicar este sistema de extração em larga escala e otimizar o seu valor econômico.

“Também podemos aprender mais sobre a natureza dos microbiomas e dos processos biológicos para determinar se esta tecnologia pode ser usada com outras fontes de resíduos”, acrescentou Angenent.

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