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Petrobras inicia processo para abandonar o setor de fertilizantes

Venda de indústrias vai de encontro ao Plano de Desinvestimentos da estatal

Refinaria da Petrobras na Bolívia. EFE/PETROBRAS

A Petrobras anunciou hoje que abriu o processo para vender duas de suas maiores fábricas de fertilizantes, como primeiro passo de um projeto pelo qual se propõe a abandonar completamente o setor.

A empresa informou em um comunicado que iniciou uma disputa para a venda das empresas Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa) e Unidade de Fertilizantes III (UFN III), duas subsidiárias dedicadas à produção de fertilizantes para a agricultura.

Companhia sediada em Araucária, no estado do Paraná, a Ansa foi comprada pela Petrobras da mineradora Vale, em dezembro de 2012, por 234 milhões de dólares, e produz ureia e amoníaco, entre outros fertilizantes.

A empresa, que utiliza resíduo asfáltico como matéria-prima, tem capacidade para produzir 1303 toneladas/dia de amoníaco e 1975 toneladas/dia de ureia, bem como 450 metros cúbicos do Agente Redutor Líquido Automotivo (Arla 32), um produto químico usado para reduzir o óxido de nitrogênio emitido por veículos de grande porte.

A UFN III começou a ser construída pela Petrobras, em 2011, na cidade de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, e que, segundo a companhia, está 80% concluída, embora as obras tenham sido suspensas em dezembro de 2014.

A intenção inicial da Petrobras era levantar aquela que seria a maior planta de fertilizantes nitrogenados da América Latina, com capacidade de produção de 2200 toneladas/dia de amoníaco, 3600 toneladas/dia de ureia e 290 toneladas/dia de dióxido de carbono.

A fábrica terá como matéria-prima o gás natural importado pelo Brasil da Bolívia, por meio de um gasoduto entre os dois países. A previsão é de que o volume consumido diariamente chegue a 2,2 milhões de metros cúbicos do combustível.

A Petrobras possui outras duas empresas de fertilizantes nitrogenados nos estados do Sergipe e da Bahia, onde também produz amoníaco e ureia.

A venda das duas primeiras unidades, que será feita em conjunto, faz parte do Plano de Desinvestimentos anunciado pela Petrobras no ano passado e está inserido “dentro do objetivo estratégico da empresa de abandonar a produção de fertilizantes”, segundo o comunicado da companhia.

Por meio de seu ambicioso plano de venda de ativos, iniciado em 2015, a Petrobras espera uma reestruturação para reduzir seu tamanho e adequar-se à conjuntura negativa provocada pela queda dos preços internacionais do petróleo cru nos últimos anos.

Para os anos de 2017 e 2018, a estatal espera vender 21 bilhões de dólares em ativos, que se somarão aos 13,6 bilhões de dólares obtidos com as vendas no biênio anterior.

Como parte do primeiro programa de desinvestimentos, a companhia brasileira vendeu seus investimentos na Argentina e no Chile por 1,36 bilhões de dólares e entregou à mexicana Alpek, por 385 milhões de dólares, o controle da Companhia Petroquímica de Pernambuco (Suape) e da Companhia Integrada Têxtil (Citepe).

A empresa estatal também se desfez da refinaria que operava no Japão, Nansei Sekiyu, que entregou ao grupo local Taiyo Oil Company, em troca de 165 milhões de dólares.

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