PIB

PIB do agronegócio tem queda de 0,15% no primeiro semestre

Entre as 17 culturas acompanhadas pelo Cepea, apenas seis terão aumento no faturamento

Foto: Sebastião Moreira/EFE

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro estimado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), encerrou o primeiro semestre de 2015,com queda de 0,15%.

De acordo com o relatório divulgado nesta quinta-feira (17), o resultado é mais positivo que o esperado, sobretudo por conta do melhor desempenho do setor no mês de julho, com alta de 0,09% no PIB. No entanto, “a conjuntura econômica desfavorável nestes primeiros seis meses refletiu sobre o desempenho do agronegócio brasileiro”, destaca o documento.

Entre os segmentos primário e de serviços houve expansão de 0,05% e 0,08% no mês, amenizando a queda no semestre que foi de 1,55% e 0,18%, respectivamente. Já o segmento de insumos, o único segmento da agricultura a registrar alta, cresceu 0,22%, “compensando as baixas acumuladas nos meses anteriores e fechando o semestre com expansão de 0,26%”.

Além disso, o setor de insumos foi impulsionado pela alta no preço dos fertilizantes. Na comparação do primeiro semestre de 2015 com o mesmo período de 2014, o volume produzido de fertilizantes cresceu 5,12% com alta de 11,99% nos preços como consequência da desvalorização do real segundo informa o relatório desenvolvido pelo Cepea/CNA.

O setor, no entanto, segue cauteloso. O documento destaca que “O cenário econômico adverso no mercado interno (crescimento do desemprego e alta dos juros) refletiu em menores investimentos na produção. O dólar valorizado frente ao Real elevou os custos e, com isso, os estoques foram usados como manobra para evitar perdas. Para os próximos meses, o setor segue atento a esses fatores visando as ações de planejamento”

Queda de faturamento

Entre as 17 culturas acompanhadas pelo Cepea, apenas seis terão aumento no faturamento: batata (7,37%), café (5,45%), cana (2,96%), cebola (111,46%), fumo (2,27%) e laranja (10,34%). Para todos os demais produtos, entre eles milho, soja e algodão,  a expectativa é de retração do faturamento em 2015.

No caso da soja e do milho, o Cepea explica que a baixa no preço dos grãos na comparação anual justificam a queda no faturamento.

Na comparação semestral, a queda no preço da soja foi de 12,09%, o que tem pressionado o faturamento diante de um cenário de expansão do volume. De acordo com o documento, a produção deve ser 11,71% superior à registrada na safra passada.

No caso do algodão, o documento destaca uma “retração” no faturamento do produtor de 23,38%, o que corresponde aos elevados estoques internacionais da pluma que pressionam sua cotação. De acordo com o Cepea, desde 2014 as cotações regionais seguem abaixo do preço mínimo oficial de R$ 54,90 a arroba do algodão em pluma.

Pecuária em alta

O setor pecuário teve alta tanto em volume quanto em faturamento de acordo com o levantamento do Cepea/CNA, gerando um crescimento de 2,06% quando comparado ao primeiro semestre do ano passado e  com perspectiva de alta na produção de 1,06% principalmente de frango e suínos. Na bovinocultura de corte, a expectativa é de retração de 7,76% na produção.

Ainda assim, o crescimento mais expressivo no PIB da pecuária foi entre a bovinocultura de corte (7,42%), reflexo dos maiores preços praticados este ano (15,96%).

“A baixa oferta de animais e, também, a recuperação das exportações, refletiram as consecutivas altas no preço do boi vivo, que atingiram patamares recordes em toda a cadeia (bezerro, boi gordo e carne bovina)”, destaca o documento.

Crise

O levantamento do Cepea/CNA ressalta ainda “as incertezas na economia brasileira e a desaceleração nas cotações das commodities agropecuárias marcaram o primeiro semestre de 2015”.

Segundo o documento, “apenas a expectativa do dólar elevado, na casa dos R$ 3,20 para o final do ano (segundo o relatório Focus), pode ter um efeito positivo às exportações do agronegócio”.

Segundo o Cepea/CNA, as perspectivas dos próximos meses estão relacionadas ao possível desaquecimento da economia chinesa e seus efeitos sobre a rentabilidade do agronegócio nacional.

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Publicado em Agricultura

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