ACORDOS COMERCIAIS

Possíveis acordos da UE com Mercosul e Canadá preocupam agronegócio espanhol

Diversas entidades do agronegócio espanhol acreditam que os acordos comerciais costumam ser “frustrantes” e tratam o setor como “moeda de troca”

(Foto: EFE/Sean Dempsey)

Os agricultores observam com preocupação e muitas dúvidas o avanço pelos acordos comerciais da União Europeia (UE) com países de fora do bloco e reivindicam um maior esforço diplomático para que o campo não saia prejudicado pela abertura de fronteiras.

A ratificação do Acordo de Livre Comércio entre a UE e o Canadá (CETA), defendido no congresso espanhol nesta semana, deu destaque, mais uma vez, à complexidade das negociações comerciais e às preocupações do setor agrícola por sua pouca participação, por estarem mais distantes do debate.

Fontes das organizações agrárias como a Associação Agrária de Jóvens Agricultores (Asaja), a Coordenadoria de Organizações de Agricultores e Pecuaristas (COAG), a União dos Pequenos Agricultores e Pecuaristas (UPA) e as cooperativas agroalimentares declararam ao EFEAgro Espanha que, para este setor, que está cada vez mais centrado nos mercados externos, estes acordos muitas vezes acabam sendo frustrantes.

Além do CETA, também se destaca no momento a negociação entre a União Europeia e o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai); os produtores insistem no “perigo” da abertura ao bloco latino-americano, uma potência agroexportadora.

O diretor de relações internacionais de cooperativas agroalimentares da Espanha, Gabriel Trenzado, afirmou que sente a necessidade de “um maior esforço diplomático” da União Europeia e seus governos para que a liberalização não se faça às custas dos agricultores.

Cooperativas agroalimentares pediram que não se busque um acordo “a todo o custo” com o Mercosul, pois dentro deste grupo há poderosos agroexportadores em setores como a pecuária e os cítricos.

Trenzado insiste que a falta de reciprocidade entre a UE e seus sócios é generalizada; ele afirma que Bruxelas negocia como um bloco único, porém quando se aplicam os convênios, cada um de seus 28 países deve discutir para que seus operadores nacionais acessem esse mercado mercado de forma concreta.

O diretor aponta que o CETA é um “bom acordo”, porém tem certas “camadas técnicas” e recentemente houve problemas devido a protocolos que obstruíram a exportação de frutas, por exemplo.

O coordenador setorial de Frutas e Hortaliças da Asaja, Benjamín Fauli, apontou que o CETA poderia ser positivo para o comercio de hortifrútis, porque o Canadá é um país do norte e tem oferta limitada, mas se preocupa com seu impacto no caso de bovinos.

Para Fauli, os acordos comerciais são “muitas vezes frustrantes” e menciona também as preocupações fitossanitária, uma vez que “todos os anos entram três ou quatro pragas” devido às importações.

Neste sentido, ele recorda o pacto entre a UE e várias nações da África do Sul, pelas concessões aos cítricos da África do Sul.

O representante da comissão executiva do COAG, Andoni García, se mostra mais radical contra o CETA, porque, em sua opinião, ele “faz prevalecer os direitos das grandes empresas” e “condena o modelo de agricultura familiar frente à agricultura industrial baseado nos hormônios” e nos “transgênicos”.

Ele assegura que o Mercosul também é um perigo, visto que importações como as do Brasil repercutirão em uma queda dos preços praticados pelos agricultores e pecuaristas.

O responsável pelas relações internacionais da UPA, José Manuel Roche, afirma que o CETA “não é o acordo que querem os agricultores e pecuaristas” e que, em geral, o setor é “moeda de troca” nas negociações comerciais.

O setor ressalta, ainda, o caso do Brexit (saída do Reino Unido da UE) e a condição do Reino Unido – quarto destino mais importante para as exportações agrícolas da Espanha -, que dentro de dois anos passará a ser um país alheio à UE.

Roche afirma que um Brexit duro poderia danificar as relações “muito consolidadas” como as de vendas de vinho espanhol, sendo conveniente, portanto, uma saída “mais branda” e que o Reino Unido tivesse um status similar aos de Noruega e Suíça, países não comunitários mas que pertencem ao Espaço Econômico Europeu.

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Publicado em Economia

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