AÇÚCAR

Produção cresce, mas preço do açúcar nesta safra se aproxima de recorde real

O preço do açúcar cristal no mercado paulista na parcial da safra 2016/17 é o segundo maior, em termos reais, para o período, de toda a série do Cepea

Brasil possui a maior área de produção de cana de açúcar mundial e é o país que mais extrai etanol desta matéria-prima. EFE/Marcelo Sayão

Um estudo divulgado na última sexta-feira (19) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, mostram que o preço do açúcar cristal no mercado paulista na parcial da safra 2016/17 é o segundo maior, em termos reais, para o período, de toda a série do Cepea, iniciada em 2003 para o produto.

Segundo os pesquisadores, os altos patamares ocorrem mesmo diante da maior oferta neste ano. “Usinas do estado de São Paulo têm priorizado a produção da commodity, com o mix desta safra 2016/17 sendo mais açucareiro. A valorização se deve, em grande parte, aos aumentos das cotações internacionais, devido às estimativas de déficit global”, afirma o texto.

De abril a primeira quinzena de agosto, o Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal, cor Icumsa entre 130 e 180 (estado de São Paulo), registra média de R$ 83,42/saca de 50 kg, 51,2% acima da de intervalo equivalente da temporada passada e atrás apenas do valor médio de igual período da 2011/12, quando alcançou R$ 88,40/sc (todos os preços atualizados pelo IGP-DI de julho/16).

O último relatório da União da Indústria da Cana de Açúcar (Unica) indicou que a produção de açúcar no acumulado da safra (de 1º abril a 1º de agosto) avançou 26% na região Centro-Sul e 24,3% em São Paulo, em relação ao mesmo período da safra anterior, totalizando 16,9 milhões de toneladas e 11,52 milhões de toneladas, respectivamente. Na média do estado de São Paulo, 51,8% da cana foi destinada à fabricação de açúcar na parcial desta safra, ante os 48% do mesmo período da temporada passada.

No mercado externo, problemas com a produção de cana em países grandes produtores, como China, Índia, Tailândia e União Europeia, reduziram a oferta mundial de açúcar. Esse cenário vem abrindo ainda mais espaço para o açúcar brasileiro.

De janeiro a julho, o País exportou 37,76% mais açúcar que nos sete primeiros meses de 2015, atingindo 15,41 milhões de toneladas, de acordo com a Secex. O estado de São Paulo foi responsável por 10,708 milhões do produto embarcado no período, ou 69,4% do total.

Etanol

No mercado paulista de etanol, o impulso sobre os preços vem principalmente da oferta reduzida. Apesar do avanço da moagem, usinas paulistas seguem priorizando a produção de açúcar. De abril a julho, o Indicador CEPEA/ESALQ do hidratado (estado de São Paulo) está em R$ 1,4612/litro, 5,7% superior ao de igual intervalo de 2015. Para o anidro, cotado a R$ 1,6354/l, a valorização é de 6,6% em igual comparativo.

Os recordes reais para o período de abril a julho foram atingidos em 2011 para o anidro, de R$ 2,225/l, e em 2006 para o hidratado, de R$ 1,7896/l (valores deflacionados pelo IGP-M de julho/16). A produção de etanol alcança 12,82 milhões de litros no Centro-Sul, incremento de 7% em relação à temporada passada. Em São Paulo, o avanço foi de 6,5%, a 6,57 milhões de litros – dados Unica.

Marcados com: , ,
Publicado em Agricultura

Twitter: efeagrobrasil