Produção de champagne no Brasil completa 100 anos

O champagne, bebida inventada na França há mais de 300 anos pelo monge Dom Perignon, comemora em 2013 o centenário de sua primeira produção no Brasil pelo método chamado Champenoise.

Bento Gonçalves, 30 set (EFE).

O champagne, bebida inventada na França há mais de 300 anos pelo monge Dom Perignon, comemora em 2013 o centenário de sua primeira produção no Brasil pelo método chamado Champenoise.

Elaborada no Brasil por Manoel Peterlongo, a bebida pode ter sido produzida de forma artesanal no país alguns anos antes de 1913, quando o imigrante italiano recebeu medalha de ouro na primeira exposição de uva de Garbaldi com seu champagne.

“Para nós é um orgulho prestigiar este evento e comemorar a trajetória deste visionário que elaborou aqui o primeiro champagne do Brasil. Temos orgulho do primeiro espumante ter sido produzido em Garibaldi, essa história se confunde com o crescimento do município que completa neste ano 113 anos e enquanto o produto comemora seus 100 anos”, disse o prefeito de Garibaldi, Antonio Cettolin, durante festa de comemoração do centenário do champagne na cidade gaúcha.

Apesar de ser uma bebida muito aceita no mercado brasileiro, as empresas que se dedicam a ela enfrentaram alguns problemas por conta do nome champagne. Em 1974, três empresas francesas – Lanson, Mumm e Taittinger – entraram com uma ação contra algumas empresas nacionais para que fossem impedidas de usar o nome champagne em seus rótulos.

Na época, os franceses disseram que o nome era uma indicação de procedência. As empresas brasileiras argumentaram que ele apenas se referia a um tipo de vinho. A partir daí, houve uma batalha judicial, e o Supremo Tribunal Federal (STF) deu ganho às empresas brasileiras.

“A Peterlongo produziu o primeiro espumante do Brasil, e quando a França teve a primeira denominação de origem da bebiba, veio para o nosso país registrar no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), mas quando chegou três vinícolas já tinham essa bebida. Hoje, infelizmente só a Peterlongo permanence”, disse Vanessa Varnier, gerente comercial da empresa.

De acordo com Vanessa, o produto sempre seguiu os moldes de produção franceses, com o champagne sendo produzido com uvas Pinot Noir e Chardonay.

“A gente quer manter a tradição. Há 40 anos, a França veio e processou o Brasil, mas a nossa vinícola ganhou o direito de usar o nome dentro do território. Em dezembro, a Dilma concedeu o registro da indicação geográfica Champagne pelo Brasil. Nós queremos continuar colocando um produto que é referência e sempre compete com os da França. Nosso champagne segue a linha de metade Pinot Noir e metade Chardonay”, disse a gerente.

Por fim, Vanessa comentou que a empresa tem a responsabilidade de disponibilizar um produto de qualidade e que inclusive já exporta o champagne para outros países, mas com outra denominação.

“Só podemos usar o nome em território nacional, se quisermos exportar, aliás o que já fazemos, temos que colocar outro nome no produto. Mas isso não é um problema para gente. Nossa vontade é continuar com a história, não para riscar e pular essa parte, a França veio e o Brasil ganhou esse direito. Temos responsabilidade de comercializar um produto de qualidade”, disse.

Twitter: efeagrobrasil