Vinho

Produtores de vinho verde buscam blindagem da União Europeia para futuros acordos comerciais

Os vinhos verdes do noroeste de Portugal não têm competidores internacionais diretos, mas seus produtores exigem que a UE proteja a região em acordos comerciais exteriores

EFE

Para manter o crescimento do mercado de vinho verde em Portugal, os produtores locais acreditam que a União Europeia deve protegê-los internacionalmente, para que a relação com os consumidores dos EUA, Canadá, América do Sul e Ásia não prejudiquem a originalidade europeia do produto.

“A defesa da origem europeia dos produtos é algo muito importante, de maneira que as regiões exportadoras estabeleçam vínculos com os países importadores”, explicou o representante da Comissão da Região Vinícola do Vinho Verde, Manuel Pinheiro.

Apesar da exigência, Pinheiro considera que o trabalho realizado pelo bloco econômico até agora tem sido bom, já que defende os interesses dos produtores locais.

O vinho verde é uma espécie da bebida com teor alcoólico e calórico mais baixo do que o tradicional, sendo considerado mais leve e muito usado como aperitivo. É o segundo tipo de vinho mais exportado por Portugal, perdendo apenas para o vinho do Porto.

 

Estados Unidos e Alemanha

Os Estados Unidos e a Alemanha são os maiores importadores do vinho verde. No ano passado, cada país movimentou cerca de 48 milhões de euros com as importações, sendo que há perspectivas de aumento.

Apesar das vendas crescentes, inclusive em mercados como o russo e o japonês, o setor tem dificuldades em aumentar o preço da bebida no varejo, que está fixado em 2,2 euros por litro.

“Esse é nosso grande desafio”, declarou Pinheiro. “Estamos obtendo bons resultados de produção, porém queremos vendê-la a um valor mais alto”.

Segundo o representante, “é preciso plantar novas videiras, para produzir uvas de melhor qualidade e, consequentemente, um melhor vinho, e logo comercializar no mercado, para que o cliente possa dar um maior valor”.

 

Qualidade e rentabilidade

A produção total de vinho verde caiu, no ano passado, cerca de 20%, totalizando 52 milhões de litros, devido à falta de chuvas. A qualidade da produção também não foi extraordinária.

A cooperativa agrícola de Felgueiras, uma das maiores produtoras de vinho verde da região, com mais de 1000 vinicultores – que produzem 5 milhões de litros anualmente, dos quais 24% são exportados – é um bom exemplo do impacto positivo de se melhorar a qualidade dos vinhos.

Desde 2000, o diretor da cooperativa, Rui Madeira, assegura que foram plantados 100 hectares de vinhas anualmente, todas de alta qualidade, o que impulsiona as vendas e os preços.

Em declarações à Agência Lusa, Madeira frisou que as exportações dos últimos anos tem sido, em grande parte, de vinhos mais caros, como os espumantes, de grande aceitação na Rússia e no Brasil.

 

A ideia do vinho “low cost”

“Temos que acabar com a ideia de que o vinho verde seja um vinho barato”, declarou. “Hoje em dia, o vinho verde possui uma melhor imagem internacional, de um produto de qualidade”.

A Quinta de Aveleda, em Penafiel, é o maior exportador de vinho verde, vendendo para EUA e Alemanha a mesma quantidade com a qual abastece o mercado português. A marca “Casal Garcia” representa dois terços do total de vendas.

Segundo o departamento de marketing da empresa, este ano serão plantados 50 hectares de novas vinhas e o controle de qualidade será incrementado, visando satisfazer a crescente demanda. Para 2018, a empresa prevê um faturamento de 35 milhões de euros, 2 milhões a mais do que em 2017.

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Publicado em Alimentação e bebidas

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