MERCOSUL-UE

Produtores pedem que UE não faça concessões no setor agrícola em acordo com o Mercosul

Negociações para livre comércio entre Mercosul e União Europeia estão travadas há mais de uma década

Os produtores europeus, representados pelo Comitê de organizações agrárias e cooperativas comunitárias (Copa-Cogeca), enviaram uma carta à Comissão Europeia (CE) na qual pedem que não se façam concessões no âmbito agrícola na negociação do acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul.

A carta se dirige ao presidente da CE, Jean-Claude Juncker, segundo um comunicado do Copa-Cogeca.

Os produtores alegam “graves preocupações” por parte de muitos Estados-membros e de “uma maioria dos ministros de Agricultura da União” em relação à possível inclusão de cotas tarifárias sobre “produtos sensíveis”, como a carne bovina.

O Copa-Cogeca lembrou também que um grupo de eurodeputados enviou uma carta à CE na qual pedem um estudo sobre o impacto do acordo sobre o setor agrícola da UE.

Os parlamentares expressaram “inquietações pela direção e conteúdo” das conversas comerciais com o Mercosul e alertaram sobre a necessidade de “proceder com cautela” no relançamento das negociações, lembraram os produtores.

A UE e o Mercosul, um bloco formado pelo Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela (este último na condição de observador e portanto fora da negociação com a União), fixaram para a segunda semana de maio uma troca inicial de ofertas tarifárias para avançar em um acordo comercial entre os dois blocos no qual o setor agrícola será objeto de intensas negociações.

O secretário-geral de Copa-Cogeca, Pekka Pesonen, se referiu à má situação dos mercados agrícolas e falou da crise de mercado “excepcional” que sofre o setor, além da sua severidade e longevidade agravada pelo veto russo a certos produtos agroalimentares.

“Diante desta situação sem precedentes é totalmente inaceitável que a CE avance na inclusão de cotas tarifárias sobre produtos sensíveis como bovinos na oferta com o Mercosul, especialmente quando 86% de nossas importações dessa carne e 70% das importações de carne de aves já vêm desses países”, opinou.

Os produtores alertaram, além disso, que têm sérias dúvidas sobre a verdadeira vontade dos países do Mercosul de abrir seus mercados.

No último 11 de abril, treze países europeus, incluídos França, Áustria e Grécia, pediram à União Europeia que exclua os produtos agrícolas “sensíveis”, como os lácteos ou as carnes, das futuras trocas de ofertas com o Mercosul e opinaram que sua inclusão teria efeitos negativos no continente.

O assunto foi tratado durante um conselho de ministros europeus de Agricultura, a pedido da Áustria, Chipre, Estônia, França, Grécia, Hungria, Irlanda, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Polônia, Romênia e Eslovênia.

Estes países apresentaram um documento para expressar rejeição a apresentação de propostas de cotas sobre produtos sensíveis na oferta que a UE  enviará ao Mercosul nos próximos dias.

Durante essa reunião de ministros, cerca de vinte delegações apoiaram esse pedido, segundo fontes europeias.

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Publicado em Economia

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