CANA-DE-AÇÚCAR

Setor de etanol poderá viver novo PróÁlcool em 2017, defende especialista

Adoção de novas técnicas de cultivo, transgenia e etanol de segunda direção devem dobrar produtividade do setor, defende assessor-técnico do CTC

Foto: EFE/Mario López.

O assessor Técnico da Presidência do CTC (Centro de Tecnologia Canavieira), Jaime Finguerut, defendeu nesta quinta-feira que o Brasil poderá viver o que chamou de “novo PróÁlcool” em 2017, com aumento na produtividade a partir de plantas transgênicas e uso de bagaço da cana para produção de etanol de segunda geração em larga escala.

“De 300 quilos de matéria seca da cana, eu faço 100 quilos de produto (açúcar ou etanol). Os outros 200 quilos estamos desperdiçando, queimando em caldeiras velhas, fabricadas há 35, 37 anos atrás em média”, alertou o assessor do CTC, empresa de pesquisa criada há 49 anos por um grupo de usinas da região de Piracicaba, em São Paulo.

Presente no Fórum Internacional de Postos de Serviços, Equipamentos, Lojas de Conveniência e Food Service, Finguerut contou que usando a palha e melhorando um pouco o uso do bagaço da cana, o país pode gerar até 50% mais etanol sem aumentar a quantidade de cana plantada ou aumentar o número de usinas.

“Isso significa que se a gente melhorar a questão energética e fizer sobrar um pouco mais de bagaço e palha, poderemos fazer etanol disso. E essa é uma tecnologia que já existe!”, defendeu o engenheiro bioquímico, que aponta a falta de investimento em inovação e pesquisa como uma das razões para a baixa produtividade do setor.

“Infelizmente inovação é igual a risco. E esse risco tem que ser corrido por alguém. Num setor com cinco anos de margem negativa e um com margem positiva é difícil fazer essa inovação”, lamentou Finguerut ao referir-se aos recentes fechamentos de usinas e endividamento enfrentados pelo setor.

Cana transgênica

No entanto, o especialista do CTC destacou que o centro de pesquisas realiza, por conta própria, investimentos no desenvolvimento de pesquisas para a criação de plantas mais produtivas e resistentes à escassez de água e pragas. A cana transgênica, segundo Finguerut, deve ser lançada entre 2017 e 2018, inciando um “novo e enorme ganho de produtividade” no setor.

Ele explica que uma planta normal de cana-de-açúcar tem capacidade para uma produtividade de 300 toneladas de massa orgânica por hectare, mas produz apenas entre 70 a 80 toneladas porque não se consegue explorar todo seu potencial.

“Ela tem doença, falta de água, variedade plantada no lugar errado, isso tudo pode ser melhorado para fazer a cana dobrar sua produtividade. E nós já temos a técnicas de hoje: agricultura de precisão, plantar a variedade certa no lugar certo, fazer a cana mais robusta. Por isso precisamos das técnicas de biotecnologia”, defende.

Segundo o assessor técnico do CTC, a primeira variedade a ser lançada será resistente a insetos, “como boa parte do milho e da soja que a gente já planta hoje no Brasil”

“O Brasil teve a maior taxa de adoção de transgênicos do mundo. Vamos ter a mesma coisa com a cana. Isso se chama inovação”, concluiu Finguerut.

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Publicado em Agricultura

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