Setor de máquinas para indústria do etanol está em xeque-mate, afirma Abimaq

Nos últimos anos, o setor sucroalcooleiro perdeu 83 usinas e mantém ainda outras 70 em processo de recuperação judicial.

EFE/Marcelo Sayão.

O presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, comentou em declaração à Efe a crise  na indústria da cana e etanol e destacou que, caso a crise no setor se prolongue por mais um ano ou uma safra, o país poderá assistir uma quebra generalizada da a indústria de máquinas e equipamentos volta para a indústria de álcool e açúcar.

“As principais empresas fabricantes deste setor estão entrando em recuperação judicial. Isso quer dizer que se essa situação se prolongar por mais uma safra ou mais um ano, nós vamos ter fechamento de empresas e não vamos mais conseguir recuperá-las” destacou Velloso ao ressaltar que  o setor de maquinas e equipamentos para etanol e açúcar está em “xeque-mate”.

Nos últimos anos, o setor sucroalcooleiro perdeu 83 usinas e mantém ainda outras 70 em processo de recuperação judicial, com a consequente quebra de fornecedores de equipamentos e prestadores de serviços, segundo dados do setor. De acordo com dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), o setor conta com apenas uma usina em condições de realizar a moagem da cana para o ano de 2015 e prevê o fechamento de outras nove.

“Não dá para dizer quem é (que vai quebrar) e nem para afirmar se vai ser mais ou menos que nove (usinas). Essa é uma avaliação nossa, interna, em função da grande redução da moagem e da dificuldade para a próxima safra”, destacou o diretor técnico da UNICA, Antônio de Padua Rodrigues, durante a apresentação do balanço do setor em dezembro de 2014.

Diante deste cenário, representantes do setor anunciaram hoje que irão se reunir com o Governo do Estado de São Paulo, onde se concentram as principais regiões produtoras de cana, para solicitar uma série de medidas, entre elas a desoneração da indústria sucroalcooleira.

A indústria da cana, no entanto, é uma exceção dentro do agronegócio que, apesar de um recuo de até 28% no faturamento do setor de máquinas e equipamentos em 2014, teve um desempenho considerado estável pela Abimaq dado os números recordes de 2013.

“O ano de 2013, foi o recorde de todos os recordes. Então mesmo com essa queda acima de 20% em 2014 ainda temos um número bom. Eu diria que hoje nós estamos em patamares normais, preocupados porque existe um risco de diminuir a atividade desse setor, mas se a gente repetir em 2015 o que foi em 2014 poderemos considerar que estamos em um bom equilíbrio”, avalia Velloso.

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Publicado em Agricultura

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