GLIFOSATO

Uso do glifosato gera polêmica na Europa e países pedem proibição

Segundo um comunicado da organização Avaaz, a Itália se somou a Suécia, França e Holanda contra o uso do glifosato

Os países da União Europeia (UE) debateram hoje uma proposta polêmica para renovar durante 15 anos a autorização do glifosato no continente, um composto químico presente em pesticidas que a Agência Internacional de Investigação Pesquisa sobre o Câncer acredita ser um “possível cancerígeno”.

O assunto foi tratado no comitê sobre Plantas, Animais, Alimentos e Ração da UE e continuará amanhã segundo indicaram fontes da comunidade europeia.

Essas fontes lembraram que, segundo o procedimento do órgão, “para que uma decisão possa ser adotada, deve existir um voto, algo que ainda não está confirmado”, embora isso possa ocorrer amanhã no comitê de especialistas.

O ministro da Agricultura da Itália, Maurizio Martina, disse hoje através da rede social Twitter que “Itália dará uma opinião negativa sobre o glifosato” na reunião técnica prevista para amanhã.

Segundo um comunicado da organização Avaaz, a Itália se somou a Suécia, França e Holanda contra o produto químico e os três países devem votar contra, enquanto a Alemanha deve se abster.

A organização considera que, desta maneira, “a renovação (do glifosato) já não é uma possibilidade”.

No entanto, fontes comunitárias indicaram que “o estado de situação continua sendo o mesmo neste momento” e que “amanhã terminarão as discussões do comitê”.

O herbicida Roundup da Monsanto, cuja substância ativa é o glifosato, é o pesticida “mais vendido” do mundo.

Apesar da opinião negativa da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer e da Organização Mundial da Saúde, que o incluiu em sua lista de possíveis cancerígenos, em novembro a Agência Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) concluiu que não há evidências científicas do vínculo entre o glifosato e o câncer.

Diante dessa segunda opinião, a Comissão Europeia propôs autorizar por mais 15 anos o glifosato, embora tenha proposto proibir o uso de pesticidas que só contenham um de seus princípios ativos: o polioxietil amina ou “POEA”.

Além disso, a Comissão convidou os Estados-membros a identificar os outros coadjuvantes usados em pesticidas que possam ser vetados.

Embora seja a Comissão quem apresenta a proposta, a decisão sobre a renovação cabe aos Estados-membros.

Em novembro passado, a multinacional de biotecnologia Monsanto avaliou que a EFSA considera “improvável” que o glifosato seja cancerígeno.

“As conclusões da EFSA sobre o glifosato se alinham com as das dos organismos reguladores de todo o mundo. Na Monsanto confiamos plenamente no caráter seguro de nossos produtos”, afirmou a empresa em seu blog.