CRISE

Venda de máquinas agrícolas cai 44% no 1º tri

Números negativos na venda de máquinas contrastam com o bom desempenho geral do agronegócio

Foto: EFE/Sebastião Moreira.

As vendas de máquinas agrícolas no mercado interno brasileiro tiveram queda de 44% no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado segundo balanço divulgado nesta quarta-feira (06) pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).

Nos dados por tipo de máquinas, as vendas de colheitadeiras tiveram queda de 17,1% no primeiro trimestre de 2016 em relação ao mesmo período de 2015 enquanto as cultivadoras tiveram queda de 44,8% no mesmo período.

Os números contrastam com as boas notícias do setor, que passou 2015 como o único segmento da economia a ter saldo positivo no PIB (1,8%) e tem em 2016 perspectivas de colher 210,3 milhões de toneladas de grãos – aumento de 1,3% em relação à safra passada segundo a Conab.

Para a vice-presidente da Anfavea e diretora de assuntos governamentais da AGCO, Ana Helena de Andrade o cenário refelte a falta de confiança do agricultor, que tem retraído os investimentos.

“A decisão de investir (atrapalha) muito mais do que falta de recursos para financiar a máquina adquirida. Lógico que o setor também se ressente de uma maior seletividade de crédito, mas isso é uma tradução da falta de confiança geral da economia e do sistema bancário”, ressaltou Andrade ao EFE Agro.

Com isso, as indústrias já começam a readequar seus estoques este ano, após um 2015 de estoques elevados nas fábricas e nas distribuídoras, segundo relatou Andrade.

Associado à baixa demanda, esse movimento ajudou a derrubar a produção de máquinas agrícolas neste início de ano no país, com redução de 52,2% na linha de montagem de máquinas agrícolas e rodoviárias, sendo 84% somente no segmento de cultivadores motorizados, além do fechamento de 2.592 postos de trabalho.

Menor produtividade

A vice-presidente da Anfavea lembra que este é o terceiro ano consecutivo de retração nos investimentos no setor, o que pode levar a uma queda de produtividade do agronegócio brasileiro se não for revertido o cenário de retração nos investimentos.

“O Brasil inaugurou um ciclo virtuoso nos últimos anos em que a produção crescia muito mais que a área plantada e um dos fatores responsáveis por issso foi a mecanização. Essa redução recente faz com que esse ritmo se reduza” destacou Andrade.

Ela explica que o Brasil possui um uso intensivo de máquinas, com até três safras ao longo do ano, o que a leva a concluir que as máquians adquiridas até 2013, quando houve recorde na produção de máquinas agrícolas, já estejam defasadas.

“Uma máquina nossa de quatro anos tem tantas horas de uso quanto uma máquina de 10 anos em um país de clima frio com uma safra por ano. Então certamente nós teremos um impacto se esse ciclo iniciado em 14/15 não for revertido”, destacou a  diretora de Assuntos Governamentais da AGCO.

 

 

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Publicado em Agricultura

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