Seca

A seca na Califórnia é um aviso para todos, segundo especialistas da FAO

Ao contrário da tese do Banco Mundial (BM) e outras organizações, que defendiam que apenas o desenvolvimento era suficiente para fazer uma boa gestão da seca, o que aconteceu na Califórnia “provou de alguma forma o contrário”.

Foto: EFE/Michael Nelson

A seca pode colocar em sérios apuros até os estados mais ricos, como se observa com o caso da Califórnia nos Estados Unidos, aonde falta uma gestão “mais proativa” para reduzir os efeitos negativos, segundo especialistas consultados em Roma.

Ao contrário da tese do Banco Mundial (BM) e outras organizações, que defendiam que apenas o desenvolvimento era suficiente para fazer uma boa gestão da seca, o que aconteceu na Califórnia “provou de alguma forma o contrário”, falou a Efe o responsável por Recursos Hídricos da Organização para Agricultura e Alimentação das Nações Unidas (FAO), Mohamed Bazza.

Nos Estados Unidos, cada estado tem autonomia para implantar suas próprias medidas na gestão deste tipo de problema, e a California não possuía uma estratégia para tal situação, chegando agora no seu quarto ano de seca extrema que obrigou o estado a adotar medidas drásticas que limitaram o consumo de água.

“Quanto mais desevolvido é um país, mais preparado para enfrentar a seca ele é, mas isso não quer dizer que está completamente protegido”, destacou Bazza.

O especialista defendeu que para aumentar a chamada proteção é necessário, acima de tudo, ter um plano de ação antes, durante e depois de períodos de seca, plano que de certa maneira – comentou – também pode servir nas adaptações perante as mudanças climáticas.

A ONU apoia a gestão nacional da seca sendo feita no país, que visa a proteção e recuperação desta fenômeno entendido como a escassez de água em comparação com a que havia no local em circunstâncias normais.

Bazza ressaltou que, diferentemente da atitude tradicional dos governos, que esperam que a seca alcançe uma situação alarmante para ajudar a população afetada, é recomendável um modelo “proativo” que prepare todos os setores e níveis da sociedade para lidar com estes possíveis danos.

“É como se preparar para a guerra em tempos de paz”, disse o responsável da FAO.

Assegurou também que com a implantação de um plano como esse, o impacto das secas pode ser eliminado e, se apenas for diminuído, a reposta de emergência “seria mínima comparada com a que teria sido organizada em uma situação normal”, é com o tempo que se melhora a resistência a longo prazo.

Trata-se de evitar a todo o custo danos como a queda na produção de alimentos, a morte de animais e a queda na renda dos agricultores.

Além de também frear outros efeitos menos notáveis a primeira vista, porém não desdenháveis, como as doenças que podem ser propagadas nas populações, as migrações de pessoas de países com seca para outros e as mortes que lentamente acontecem pela desnutrição.

Na luta contra a seca, os países em desenvolvimento partem em desvantagem pela falta de capacidade de implantação de determinados planos e colaborações entre setores da sociedade.

No entanto, Bazza reconheceu que alguns países estão investindo para reverter esta situação e citou como exemplo o caso do México, cujo presidente Enrique Peña Nieto já lançou em 2013 um plano contra a seca.

Pessoas de cerca de 70 países já receberam treinamento da FAO e de outras organizações para combater o problema. “Nenhuma região do mundo está livre dos efeitos da seca”, afirmou o especialista, que citou as situações graves do chifre da África, da Índia, de partes da China, Coreia do Norte, Oriente Médio e Paquistão.

Em entrevista a Efe, outro especialista da FAO, Óscar Rojas, insistiu que cada exemplo deve ser bem estudado antes de se declarar uma seca.

Rojas, que trabalha com um sistema de monitoramento remoto por satélites para identificar partes do globo que sofrem problemas agrícolas derivados da seca, destacou que as vezes os dados obtidos servem para notar já um início de precipitações tardio, porém ainda deve-se esperar que se confirme a situação de seca.

“Os alertas prévios se criaram para evitar os falsos alertas que lançavam antigamente os governos, dizendo que estavam sofrendo grandes secas visando as ajudas” econômicas, indicou Rojas.

De todo caso, compartilhou da inquietude dos agricultores locais que esperam águas que não chegam para completar seus trabalhos.

Considerou também que para se comprovar as consequências de mudanças climáticas são necessários mais anos de estudo e, segundo o histórico, a maiores secas já registradas a nível global, como a do Sahel, datam do final dos anos 80 e começo dos 90.

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Publicado em Meio ambiente e Tecnologia