AGRONEGÓCIO

Agenda agrícola está atrasada na OMC, diz embaixador brasileiro

O Congresso aconteceu em São Paulo, nesta segunda-feira (6) e reuniu empresários e representantes do setor agrícola mundial. Entre os principais temas pautados estiveram internacionalização, políticas externas e financiamento agrícola.

Foto: EFE/Gustavo Ercole

O Embaixador, Representante Permanente do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC), Alexandre Parola enfatizou a necessidade de pautar o setor agrícola nas discussões da Organização, já que o debate sobre multilateralismo, abertura de mercados e políticas externas influenciadas por players globais como a China e Estados Unidos está causando incertezas e “imprevisibilidade” no campo.

“Temas que envolvem a China requerem discussão multilateral (…) Essa agenda está atrasada na OMC. Sempre foi difícil avançar a agenda agrícola, mas temos que impô-la. Controlar medidas de apoio doméstico, avançar na abertura dos mercados, nos patronos privados e na questão fitossanitária requer tratamento multilateral”, defendeu Parola durante participação no 17º Congresso Brasileiro do Agronegócio, organizada pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) e B3.

De acordo com o embaixador, a agenda agrícola é um dos “dramas” da OMC, mas vem sendo percebida como preponderante e urgente. Além disso, para ele o debate do setor precisa de “reformas inclusivas” que não estejam controladas apenas por Estados Unidos, União Europeia e China.

Quando questionado sobre a “guerra comercial” entre China e Estados Unidos, Parola é contundente em caracterizar a situação como uma “retórica infinita” e indica que a OMC “vai ter que acertar um caminho de reforma” para os próximos dez meses, quando acontecerá  novamente a Cúpula do órgão, o que significa propor uma coalizão em defesa ao multilateralismo.

Dentro deste processo de reforma, Parola também mencionou a necessidade de avançar na revisão de medidas protecionistas muito relacionadas com os entraves e impasses provenientes do debate entre mercados e governos, como o que acontece na briga por taxações entre Estados Unidos e China.

A guerra comercial entre os dois players globais também têm despertado preocupações entre os grandes, médios e pequenos produtores brasileiros, bem como nas empresas, pois a curto prazo pode ser vantajosa e positiva para a exportação de soja brasileira, mas a longo prazo pode significar incerteza nas negociações mundiais, como defendeu o diretor de marketing da Bayer, Mauro Alberton.

“É difícil mensurar se essa situação é preocupação ou oportunidade, já que nosso crescimento se baseia na China. Levamos décadas para expandir área e ganhar produtividade. Com certeza, dependeremos da China e vemos que outros países não alcançarão crescimento no mesmo ritmo que o Brasil. Por exemplo, no aspecto regulatório, somos como os primeiros do mundo e isso é importante para o país asiático”, explicou durante sua fala no painel “Comércio Exterior: Limites e Oportunidades” realizado dentro da programação do Congresso da Abag.

Em contrapartida, para o sócio da McKinsey, Nelson Ferreira, as negociações globais do próximo ano estarão mais fechadas devido aos problemas locais levantados pelos players e blocos econômicos que protagonizam as principais discussões de política externa, que são União Europeia, China e Estados Unidos.

“Teremos um mundo a partir de 2019 menos aberto para negociações globais. Questões locais da União Europeia, Estados Unidos e China estão atrapalhando acordos agropecuários”, disse.

“Nosso setor agrícola é de tal ordem competitividade que nos nos imporemos em qualquer cenário”, afirmou Parola, contextualizando que a briga entre China e Estados Unidos não começa no governo Trump, mas revela um passado de crise econômica norte-americana em 2008 e uma extraordinária ascensão da China na OMC.

Agronegócio além das fronteiras

Quanto à internacionalização da agropecuária brasileira, o Embaixador do Brasil em Washington, Sérgio Amaral, inferiu que o país precisa fazer acordos e não perder tempo.

“Há algum tempo, eu senti que o Brasil perdeu o trem da história. Ele passou e não aproveitamos para fazer certos acordos. Fizemos alguns, mas menores. Então, Donald Trump se tornou presidente dos Estados Unidos e desfez o Nafta e a Parceria Transpacífica. Ele parou o trem. Se corrermos, podemos alcançá-lo”, explicou Amaral.

Para o embaixador, os Estados Unidos estão de olho na China e para tentar frear esse mercado, o presidente norte-americano, Donald Trump, impõe  medidas protecionistas, que podem não ser viáveis a longo prazo.

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