EFEAGRO

Agronegócio deve movimentar R$ 2,3 bi em maior feira do setor na América Latina

A meta pode superar entre 5 % a 8 % o valor de 2017, que atingiu o fluxo monetário de R$ 2,2 bilhões no evento, que acontece em Ribeirão Preto, interior de São Paulo.

Imagem de divulgação

Com perspectiva positiva para este ano, a Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação, “Agrishow”, considerada a maior da América Latina, começou nesta segunda-feira com expectativa de chegar a R$ 2,3 bilhões em novos negócios, segundo a organização do evento.

Segundo o presidente da feira, Francisco Maturro, o momento denota uma “recuperação da economia brasileira”, onde não se pensa mais em “crise”, sendo a agricultura o motor do país.

Maturro, ainda, chamou atenção para as novas possibilidades de negócios nacionais e internacionais, o que torna a feira um dos principais eventos do mundo no segmento.

“O Brasil é o cinturão agrícola tropical do globo e nesse país se faz cultura o ano inteiro, pois aqui tem ciclo de chuva definido, é quente, não neva e nós aprendemos com ciência e tecnologia a dominar os trópicos e fazer produção”, afirmou o presidente à Efe.

China, Itália, Nigéria, Costa do Marfim são alguns dos países que participam da Agrishow, entre 70 nações que devem circular nos cinco dias de evento.

“Na feira, se fecha a programação do ano dos negócios das multinacionais, que trazem clientes de muitas delegações para o Brasil, e do movimento global da feira a gente exporta cerca de 50%, entre eles os Estados Unidos e União Europeia”, destacou Maturro sobre a internacionalização da feira.

Plano Safra

Questionado sobre o novo Plano Safra, que deve ser implementado em julho, Maturro foi contundente em considerá-lo positivo para as negociações dos agricultores e que ele não atrapalha o fechamento de negócios da feira, porque nesse momento o produtor “tem dinheiro, câmbio positivo e taxas de bancos favoráveis”.

Seis bancos patrocinam e participam da feira este ano com a proposta de discutir crédito rural para tentar viabilizar crescimento da produção para 2018, o que segundo a organização é um desafio do setor, já que taxa de juros elevada é a principal reclamação dos agricultores.

O Santander Brasil anunciou o valor de R$ 1 bilhão de crédito pré-aprovado para a Agrishow e, pelo segundo ano executivo, isentará os clientes da comissão, taxa de mercado que incide sobre o valor total da compra, o que significa uma economia de 2,5 a 10 % na compra de equipamentos agrícolas, segundo o Superintendente Executivo de Agronegócio do banco, Paulo Bertolane.

Consórcio agrícola e linhas de crédito de curto e longo prazo também foram soluções apresentadas pela organização que pretende consolidar negócios, especialmente entre os pequenos e médios produtores, com a perspectiva de alcançar o índice de 10% da carteira de crédito nacional até 2019.

“A Agrishow não é um negócio pontual, é uma oportunidade de conversão. Estamos financiando o produtor e o banco tem que abraçar a economia do país, assumir riscos para trabalhar em qualquer condição (da economia nacional)”, enfatizou Bertolane durante coletiva de imprensa da instituição no primeiro dia de feira.

O Sicoob também foi outro banco a anunciar linhas competitivas de crédito pode chegar a 250 milhões em negócios até o fim do evento, na sexta-feira (4).  Nesse período, 800 expositores e visitantes de 70 nações irão circular no local, que deve receber 150 mil pessoas.

Alguns lançamentos tecnológicos também chamam atenção dos participantes, como os drones de pulverização, helicópteros e aeronaves sob medida ao transporte de cargas, máquinas agrícolas com sensores, satélites de monitoramento de lavouras e máquinas que funcionam como telescópios ou biometano.

Eleições

O evento, que também é visitado por autoridades brasileiras, este ano não contou com a presença do presidente Michel Temer, que cancelou a vinda para a feira no domingo (29).

Em nome de Temer, o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia falou na abertura da feira sobre a retomada econômica do país, mas quem atraiu olhares do público foi o pré-candidato Jair Bolsonaro, que visitou alguns estandes e foi chamado de “mito”.

Bolsonaro, que disse não ter elaborado propostas específicas para o setor, informou que será preciso “desburocratizar” e “criminalizar ocupações do Movimento Sem Terra (MST)” para oferecer segurança no campo.

Twitter: efeagrobrasil