Alimentação

Alimentos mais nutritivos são os mais desperdiçados, diz estudo

Perdas anuais em comida chegam a 170kg/pessoa; frutas, verduras e carnes se destacam

EFE/Kote Rodrigo

Os alimentos considerados mais nutritivos pela comunidade científica, como as frutas e as verduras, são os que mais se perdem ou desperdiçam no mundo, especialmente nos países pobres, segundo estudo apresentado hoje na cidade de Roma, Itália.

Segundo Srinath Reddy, membro do Painel Global sobre agricultura e nutrição e presidente da Fundação Indiana de Saúde Pública, mais de 70% de toda a produção de frutas e verduras não é aproveitada nos países em desenvolvimento, em virtude de suas falhas no processamento, embalamento e transporte.

Na Etiópia, por exemplo, até 40% do hortifruti é perdido após a colheita, e em Gana, sete em cada dez tomates são destruídos por animais urbanos, por causa da falta de proteção.

Já nos países ricos, o grande problema está no desperdício de alimentos na etapa do consumo, já que entre 15% e 30% de toda a comida comprada vai parar no lixo.

O estudo ressalta ainda ainda que 20% das 263 milhões de toneladas de carne que são produzidas anualmente em todo o mundo são perdidas ou desperdiçadas, o que equivale a cerca de 75 milhões de vacas. Em relação aos pescados, o montante não aproveitado chega a 30%.

Nos países pobres, as perdas de proteína animal se devem à alta mortalidade das criações, especificou Reddy, recordando que, a cada ano, as perdas de alimentos somam 1,3 bilhão de toneladas, com um custo de 940 milhões de dólares.

O professor e assessor do grupo, Patrick Webb, destacou a importância do investimento em infraestrutura e comércio para “responder à demanda de alimentos com produtos de qualidade, e não apenas em quantidade”.

Atualmente, cerca de 3 bilhões de pessoas não se alimentam adequadamente em todo o planeta, o que, segundo o estudo, poderia ser evitado pela redução de perdas e desperdícios.

A mudança dos hábitos de consumo, tornando-os mais sustentáveis, e a melhora da eficiência dos sistemas produtivos, através da inovação em etapas posteriores à colheita, ajudaria a reduzir o que se perde ou desperdiça, além dos recursos empregados.

“As deficiências de micronutrientes (vitaminas e minerais) poderiam ser reduzidas à metade se as perdas de alimentos caíssem 50%”, assegurou Webb, que também incentivou uma maior variação dos alimentos cultivados, reduzindo o espaço dos cereais e aumentando o das frutas e verduras, de modo que seja mais fácil alcançar uma dieta saudável.

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Publicado em Alimentação e bebidas

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