Soja

Após 2017 em alta, soja alimenta esperanças e milho causa preocupação

Expectativas para oleaginosa são de recordes na produção e nos preços, enquanto grão se vê pressionado por secas, Carne Fraca e composição dos combustíveis

EFE/Cézaro De Luca

Grandes responsáveis pelo crescimento do setor agropecuário em 2017 e, consequentemente, do PIB brasileiro no mesmo ano, a produção de soja e milho no Brasil tendem a seguir caminhos mais distintos em 2018. Enquanto a soja se vê beneficiada pela crescente na produção e nos preços, o milho enfrenta condições climáticas desfavoráveis e deve sofrer interferências de outros setores econômicos, como o mercado de carnes e combustíveis.

Após um aumento de 19% do mercado de soja em 2017, o Brasil, maior exportador da commodity, deve fechar a safra 17/18 com recordes produtivos, na casa  dos 118 milhões de toneladas segundo as últimas previsões.

Além disso, o mercado foi beneficiado pela seca que devastou boa parte das fazendas na Argentina, até então o terceiro maior exportador no mercado de oleaginosas, atrás apenas de Brasil e Estados Unidos. A queda da oferta no mercado internacional proporcionou um aumento no preço da soja, que, aliado à superprodução brasileira, deve impulsionar a rentabilidade dos produtores neste ano.

Já o milho segue no caminho contrário. Com um crescimento surpreendente no ano passado, de 55% – representado, majoritariamente, pelo safrinha, que é aquele plantado após a soja -, o grão enfrenta atrasos no plantio devido a problemas climáticos.

“O excesso de chuvas no Centro-Oeste atrasou a colheita da soja, o que adiou também o preparo e plantio do milho safrinha”, explicou o especialista em agricultura Moacir Neto. “Chegamos à primeira dezena de março com boa parte do milho ainda não plantado. Isso faz com que a lavoura não cresça sob condições favoráveis e diminui a produtividade”.

Além da baixa expectativa, o setor de milho pode ser ainda mais pressionado por acontecimentos recentes da política brasileira. A última fase da operação Carne Fraca, da Polícia Federal, teve como grande alvo a BRF, maior empresa no ramo de produção de carnes de aves, o que deve prejudicar suas exportações, baixando a demanda interna por milho e ração.

Por outro lado, a possibilidade da equipe econômica do governo Michel Temer aumentar o percentual de etanol na gasolina, de 27% para 40%, até 2030, deve aumentar a demanda por álcool, o que provavelmente vai estimular a produção do combustível não apenas através da cana, mas do milho, como vem sendo tendência em alguns estados brasileiros, principalmente Mato Grosso.

Marcados com: , ,
Publicado em Agricultura     Economia

Twitter: efeagrobrasil