GREVE

Associações agrícolas pedem retomada das atividades; alguns produtores divergem

Associações agropecuárias acreditam que, após as reivindicações atendidas, é preciso retomar as atividades, antes que o setor produtivo seja mais prejudicado; produtores acreditam que com a greve podem aprovar outras medidas para o setor.

EFE\ Arquivo.

Caminhando para o nono dia de greve dos caminhoneiros, produtores rurais e entidades agrícolas estão divididos sobre a continuidade dos protestos e divergem entre o fim da paralisação e o retorno da circulação dos caminhões.

De acordo com nota divulgada nesta terça-feira (29), a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e o Instituto Pensar Agro (IPA), que reúne 40 entidades do setor, informam a manutenção da greve prejudica a produção agropecuária, que “acumula graves prejuízos, especialmente, para os produtores de leite, ovos, hortifrúti, carnes e demais produtos perecíveis”.

As entidades descaram que, embora tenham apoiado as reivindicações e participado das negociações com caminhoneiros (autônomos e empresários), o prazo da greve se encerrou quando o governo federal atendeu aos pedidos dos manifestantes e publicou novas medidas temporárias em edição extraordinária do Diário Oficial da União, de 27 de maio.

Também em nota, as duas representações pediram que seja restabelecida a “normalidade sob pena de preocupante crise no setor produtivo nacional”.

Entre os pedidos concedidos pelo governo federal estão a redução de R$ 0,46 no litro do diesel por 60 dias,  estabelecimento de uma tabela mínima dos fretes e a isenção da cobrança de pedágio para eixo suspenso de caminhões vazios, em rodovias federais, estaduais e municipais.

Já entre alguns produtores de hortifrúti, a greve parece ser oportuna para aprovação de outras demandas do setor, como a diminuição do preço da gasolina.

“Estamos tendo mais custos, já que começamos a estocar produção, o que aumenta o preço do produto para o consumidor final. Também enfrentamos o problema de roubos dentro das nossas propriedades justamente pela paralisação dos serviços de transporte, mas mesmo assim estamos a favor das reivindicações e dos caminhoneiros, pois só eles conseguem parar o país”, afirmou um produtor de batata do interior de São Paulo, que não quis se identificar.

De acordo com outros quatro produtores ouvidos pelo EFEAgro, existe uma preocupação em relação ao envio dos produtos aos supermercados, no entanto todos concordam que é um “mal necessário”.

Algumas centrais de abastecimento do país, os Ceasas, estão sem estoque e fecharam nos últimos dias, como é o caso de Cuiabá, no Mato Grosso. Já o Ceasa de São Paulo está operando com 10% dos produtos e o do Rio de Janeiro apresenta pequena retomada das vendas de hortaliças, no entanto com preços que significam o dobro, às vezes o triplo do comum.

Para o consultor agrícola, Joaquim Ortiz, a greve é legítima, mas algumas medidas são “paliativas e só haveria mudanças a longo prazo caso houvesse redução da carga tributária repassada a agropecuária”.

Aumento de Impostos 

Nesta terça, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), se posicionou contrária a um possível aumento de impostos para cobrir o subsídio ao diesel que o governo ofereceu para acabar com a greve.

“Ao invés de querer aumentar mais a já alta carga tributária que pesa sobre o setor produtivo e sobre a sociedade brasileira em geral, o governo deveria trabalhar para reduzir a burocracia os gastos cada vez maiores do Estado”, informou a entidade em nota.

A carga tributária no Brasil equivale a cerca de 35 % do Produto Interno Bruto (PIB) e é objeto de críticas constantes do empresariado.

De acordo com o Ministério da Fazenda, o subsídio anunciado para o diesel custará cerca de R$ 9,5 milhões até dezembro, para quando o governo prevê que o déficit fiscal acumulado este ano chegará a R$ 159 milhões.

Exportação de carnes

Dados divulgados nesta segunda-feira (28) pela Associação Brasileira de Proteína Animal (Abpa), o Brasil, um dos maiores exportadores de carne do mundo, deixou de exportar 120 mil toneladas de frango e porco desde o início da greve.

Em comunicado, a Associação denunciou um aumento de mortes de animais nos polos de produção do país devido à paralisação dos caminhões.

Desde o começo da greve, no dia 21 de maio, morreram quase 70 milhões de aves como consequência direta da paralisação, enquanto um milhão de aves e 20 milhões de porcos estão em risco de morte.

A associação advertiu que a ” situação é alarmante para todo o setor ” e afirmou que a continuidade da greve ” representa um risco para o país e exige uma ação forte e imediata do Governo”.

Crescimento do setor

Frente à greve dos caminhoneiros e a divulgação oficial do balanço econômico do Brasil, que acontece nesta quarta-feira (30), a projeção para a agropecuária, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas é de pequena retração.

O setor, que permitiu a recuperação econômica brasileira em 2017 graças as safras recordes de grãos,  pode apresentar retração de aproximadamente 5,2 % entre janeiro e março deste ano se comparado com o mesmo período do ano passado.

 

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Publicado em Agricultura

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