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Atlas do Agronegócio mostra lado B do setor no Brasil

A edição é a versão brasileira do texto em inglês “Agrifood Atlas”, publicado em outubro de 2017 pelas fundações em parceria com a organização “Amigos da Terra Europa”.

Divulgação

A publicação “Atlas do Agronegócio”, lançada esta semana no Rio de Janeiro, revela o lado B do setor que mais movimenta a economia brasileira, cujo o objetivo é chamar a atenção sobre aspectos negativos, como o uso exagerado de agrotóxicos e dos violentos efeitos gerados pelo conflito de terras no país.

O documento de 60 páginas, com artigos originais e traduzidos, revela a complexidade da cadeia agropecuária e da indústria agrícola por meio de confrontos revelados pelo setor nas últimas décadas, além de mostrar, por meio de dados, os bastidores da atuação do lobby agrícola e alimentar.

Concentração do mercado em mãos de grandes empresas multinacionais, atuação da indústria bioquímica e farmacêutica, disseminação de transgênicos e risco para biodiversidade e desmatamento da Amazônia são algumas das principais idiossincrasias da agropecuária retratadas na publicação da Fundação Heinrich Böll e da Fundação Rosa Luxemburg.

De acordo com a obra, o Brasil é, ao mesmo tempo, o maior produtor de alimentos e também o principal consumidor de agrotóxicos do mundo e está prestes a aprovar um polêmico projeto de lei que pretende flexibilizar o uso destes produtos no campo.

O projeto, já aprovado na Câmara com apoio da influente bancada ruralista, passou por fortes retaliações de órgãos oficiais, como a Anvisa, grupos de oposição e ambientalistas que o consideram um risco à saúde e à natureza.

Outro tema polêmico retratado no Atlas é a liberação indiscriminada de herbicidas a base de glifosato, principal ativo do campo brasileiro e que já foi indicado como causador de doenças cancerígenas. De acordo com dados divulgados na publicação, esses produtos “respondem por mais da metade de todo o veneno usado na agricultura brasileira”.

Os conflitos que pautam o tema da Reforma Agrária também aparecem no Atlas, associando o aumento dos conflitos devido a expansão de monocultivos da soja, milho e cana-de-açúcar, que necessitam de grandes terrenos.

O crescimento da necessidade de terras diante da modernização do setor vem causando disputas por áreas agrícolas, nas quais, só em 2017, 70 pessoas foram assassinadas, segundo os dados da Comissão Pastoral da Terra também citados no Atlas.

 A edição é a versão brasileira do texto em inglês “Agrifood Atlas”, lançado na Alemanha em 2017  pelas fundações em parceria com a organização “Amigos da Terra Europa”.