POLÍTICA

Bancada ruralista tem 93% de seus integrantes concorrendo nas eleições de 2018

O cargo mais buscado é o de deputado federal, que soma 175 candidaturas dos ruralistas, seguido por senador (25) e governador (11)

EFE/FERNANDO BIZERRA JR

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) – a popular bancada ruralista, que representa os interesses do agronegócio – deverá manter-se forte nos próximos anos: 225 de seus 241 integrantes em atividade parlamentar (93,4%) disputam cargos nas eleições de 2018 no Brasil, segundo um levantamento realizado pela Agência EFE.

O cargo mais buscado é o de deputado federal, que soma 175 candidaturas dos ruralistas, seguido por senador (25), governador (11), vice-governador (6), 1º suplente de senador (4), deputado estadual (2), vice-presidente (1) e presidente (1).

Segundo Andréa Freitas, professora de ciência política na Unicamp e coordenadora do Núcleo de Estudos das Instituições Políticas e Eleições do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Nipe/Cebrap), este número de 93% está acima da média brasileira até as últimas eleições gerais quando se inclui todos os políticos em exercício.

Entretanto, ela observa que a taxa de recandidaturas neste pleito é maior que nos anteriores, o que lhe soa “curioso” ante as demandas vindas de setores da sociedade pedindo renovação e mudança de práticas na política.

Para ela, o fim do financiamento empresarial de campanhas, ao diminuir o dinheiro para as candidaturas, deve fazer com que os partidos priorizem nomes poderosos, que já têm tradição na política, e os candidatos que podem se bancar.

“Recursos são importantes e quem tem muito recurso são os grandes empresários, inclusive do agronegócio, e candidatos evangélicos. A bancada [ruralista] é muito influente no legislativo. Quase tem maioria sozinha e essa correlação de forças não deve mudar”, avalia Freitas.

Segundo Tereza Cristina, deputada federal do partido Democratas que preside a FPA e é candidata à reeleição, “todos os membros da bancada estão prestando contas de suas ações e de seu mandado” e “a avaliação de reelegê-los cabe exclusivamente aos eleitores”.

Apesar de reconhecer a importância do agronegócio nacional e observar sua diversidade de posicionamentos, Freitas observa que a FPA, em questões como o Código Florestal e a fiscalização de trabalho escravo, tende a ser mais permissiva.

“Quando houveram votações relacionadas ao meio ambiente e a questões trabalhistas, os parlamentares tiveram posições mais conservadoras do que talvez se esperasse nos tempos atuais”, reflete ela.

Tereza Cristina, presidenta do grupo, se defende: “Trabalhamos com a legalidade e com a promoção de políticas públicas para o desenvolvimento sustentável da agropecuária. Toda e qualquer forma de crime como, trabalho escravo, grilagem de terras, desmatamento ilegal e tantos outros atentados contra nossa constituição são repudiados pelo setor”.

Os números da matéria foram obtidos a partir do repositório de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e da lista de integrantes da FPA que consta no site do grupo, excluíndo-se os parlamentares declarados fora de atividade pela bancada.

Os parlamentares que não se recandidataram são: Airton Sandoval (MDB); Bonifácio de Andrada (DEM); Cidinho Santos (PR); Dário Berger (MDB); Evandro Gussi (PV); Gabriel Guimarães (PT); Jaime Martins (PROS); Josué Bengtson (PTB); Lasier Martins (PSD); Mandetta (DEM); Nelson Meurer (PP); Paulo Feijó (PR); Rôney Nemer (PP); Ságuas Moraes (PT); Toninho Pinheiro (PP); e Vicente Cândido (PT).

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