Cerveja

A cerveja declara guerra à mudança climática

Indústria cervejeira tem como maior preocupação o futuro da água

Foto: Pixabay

A ameaça que representa a mudança climática para as reservas naturais acaba de ganhar outro inimigo poderoso: a indústria da cerveja, decidida a ajudar o planeta a conseguir “sobreviver ao próximo século”, de acordo com as palavras do responsável de sustentabilidade da AB InBev, Tony Milikin, em entrevista à Agência Efe.

Para Milikin, que procura tornar sustentável o maior fabricante mundial de cerveja – que detém marcas como Budweiser, Corona, Stella Artois e Leffe -, tal objetivo se tornou uma obrigação após participar do Web Summit que aconteceu em Lisboa, onde compareceu pela primeira vez com uma certeza: ou a empresa se envolve na proteção do mundo ou não estará aqui em um século.

“O nosso produto é feito com elementos naturais. Usamos agricultura, água… tudo natural, portanto temos que fazer coisas pelo meio ambiente ou não seremos um negócio durável, não estaremos aqui dentro de cem anos”, disse à Agência Efe.

A presença na reunião de Lisboa foi incentivada pela necessidade de “pesquisar e fazer contatos” que ajudem a encontrar fórmulas para continuar fabricando cerveja, reduzindo cada vez mais o impacto no meio ambiente e, eventualmente, inclusive ajudando a natureza a se recuperar.

“Se solucionarmos nossos problemas, ajudaremos também o planeta”, afirmou Milikin, que mostra uma ideia tão elogiável como urgente para o gigante belga AB InBev.

“Pense na água. Estamos trabalhando para melhorar a qualidade das reservas de água com as quais lidamos. Uma de cada quatro cervejas que fazemos no mundo vem de regiões onde o fornecimento de água é restrito e estaremos em mais áreas assim nos próximos dez anos. A água é o segredo”, avisou.

De acordo com Milikin, é possível fazer diversos tipos de cerveja usando ingredientes variados, porém, todas as “fórmulas incluem água”.

Por isso, Milikin apresentou em Lisboa seu projeto 100+Acelerator, que tem como finalidade “identificar e apoiar inovadores que estejam desenvolvendo soluções para assuntos de sustentabilidade global” centrados em água, produtividade agrícola e criação de produtos mais recicláveis.

“A percepção é que extraímos muita água, e, portanto, necessitamos ser parte da solução. Se conseguirmos com ajuda de uma ‘start up’ devolver parte dessa água e ajudar, será uma grande oportunidade, certo? Já estamos falando com algumas delas que de fato podem tirar água do ar”, explicou entusiasmado.

“O futuro já está aqui, mas não está distribuído. Acontecem coisas ao redor do mundo e não sabemos. Não queremos perder esta tecnologia, queremos fazer parte dela, e acreditamos que podemos trazer todas as ‘starts up’ juntas, e então apresentá-las ao mundo”. Trazer investidores, apaixonados pelo meio ambiente”, disse Milikin.

Este objetivo se une ao compromisso da AB InBev anunciado em março de conseguir, até 2025, operar completamente com energias renováveis.

“Para o final de ano teremos atingido 50% do compromisso”, disse Milikin, considerando que o desafio representa uma adaptação a energias limpas “significativamente mais rápida que o de qualquer outra companhia do setor”.

Milikin considerou que será possível atingir tal meta e, além disso, avançar em soluções para o planeta se apoiando no que identificou como principal qualidade da cerveja: “unir o povo”.

“Festas, aniversário, casamentos… sempre há cerveja. Portanto acredito que podemos unir o mundo ao redor do nosso programa de sustentabilidade e ter uma grande influência na Terra”, comentou.
A meta final? “Que seus filhos e netos tenham um mundo melhor onde viver e no qual bebam cerveja”, conclui Milikin.

Twitter: efeagrobrasil