CIDADES

Cidades mostram sua face mais verde no Dia das Florestas

As cidades correspondem a apenas 3% da superfície terrestre e, ao mesmo tempo, consomem 78% da energia e emitem 60% de todo o dióxido de carbono produzido

EFE/Sebastião Moreira

Representantes de cidades como Lima, Filadélfia e Liubliana apresentaram ontem (21), em Roma, suas experiências para aumentar a cobertura florestal e alcançar centros urbanos mais verdes e saudáveis no marco do Dia Mundial das Florestas.

A diretora de Políticas florestais da Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Eva Müller, explicou que as árvores urbanas ajudam a “melhorar o clima e a biodiversidade, fazendo das cidades melhores lugares para se viver”.

Mais da metade da população mundial vive em cidades, as quais correspondem a apenas 3% da superfície terrestre e, ao mesmo tempo, consomem 78% da energia e emitem 60% de todo o dióxido de carbono produzido.

A colocação de árvores em áreas estratégicas pode ajudar a resfriar o ambiente em até 8 graus centígrados, o que auxilia a reduzir o uso do ar condicionado e mesmo de sistemas de calefação.

Isso é o que está sendo feito no distrito de Independência, em Lima, capital do Peru; lá, um terço do território corresponde a ladeiras de colinas desérticas, nas quais diversas famílias têm se instalado de forma irregular, segundo Evans Sifuentes, prefeito da cidade.

Para impedir que isso siga ocorrendo e proteger as famílias dos terremotos e intensas chuvas que ameaçam a zona, Sifuentes detalhou que desde 2015 estão inserindo “plantas nativas com sistemas de retenção de água e regagem por gotejamento”.

Aproximadamente 225.000 pessoas vivem nesse distrito, das quais cerca de 100.000 habitam moradias vulneráveis aos desastres naturais.

O projeto de parques em 14 hectares procura “melhorar a qualidade de vida” com espaços para a recreação familiar e para gerar novas oportunidades de negócio, acrescentou o prefeita da zona em questão.

Outro exemplo vem da cidade estadunidense da Filadélfia, considerada o maior parque urbano do país com mais de 2.400 hectares de superfície florestal.

O diretor gerente da cidade, Michael DiBerardinis, indicou que tem sido proposto um aumento de 30% na superfície de florestas para 2025 com ajuda de residentes, organizações não governamentais e empresas.

Para além de plantar árvores nas ruas, DiBerardinis apontou que falta ir além e pensar nos “parques, escolas e bibliotecas” em conjunto.

DiBerardini pediu o envolvimento dos cidadãos no planejamento urbano desde o princípio para permitir que eles possam se beneficiar da vegetação de forma igualitária, sem distinção por investimentos ou bairros.

Já um representante da capital da Eslovênia, Janez Kozelj, destacou que a Liubliana possui no seu interior uma “reserva natural com espécies cruciais”, bem como florestas e Turfeiras (ecossistemas úmidos caracterizado por acumulação de turfa, matéria orgânica de origem vegetal).

O objetivo atual é de conectar os caminhos verdes entre si, de modo que os cidadãos possam transitar por eles e valorizá-los.

As florestas urbanas têm um grande potencial, segundo uma nova publicação da FAO que analisa seus benefícios, como o fato de que filtram o ar eliminando partículas contaminantes, ajudam a regular a água e são uma barreira natural frente à contaminação acústica e à perda de solo.

A organização destaca a experiência de Pequim, uma das cidades mais povoadas e contaminadas do mundo, onde existe um programa de florestamento urbano desde 2012.

As florestas cobrem agora mais de 25% da planície onde se encontra a capital chinesa (com um aumento de 42%) e oferecem aos residentes mais espaço para a recriações.

Em Níger, por exemplo, o Governo elaborou uma política nacional para administrar os espaços verdes nas cidades com o objetivo de mitigar os efeitos da mudança climática.