Clima

Coalizão Brasil propõe agronegócio compatível com a preservação do meio ambiente

Entidades, especialistas e empresas sugerem fomento à produtividade, prêmio à preservação e combate ao desmatamento ilegal

A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura – grupo que reúne os setores agropecuário e ambientalista do país, além de acadêmicos e empresários –  lançou, nesta semana, durante a Cúpula do Clima, em Katowice (Polônia), um documento com propostas para o estabelecimento de um equilíbrio entre a produção no campo e a preservação do meio ambiente até 2050.

“A questão não é produzir ou conservar, mas sim compatibilizar as duas atividades, já que as duas estão relacionadas. A conservação das florestas é importante para a manutenção dos regimes hídricos, que, consequentemente, é essencial para a agricultura brasileira, que depende das chuvas”, afirmou o diretor do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), André Guimarães.

O documento avalia que o Brasil tem papel central na produção mundial de alimentos, mas, ao mesmo tempo, na preservação de florestas e no combate às mudanças climáticas. Para cumprir essas duas funções, a Coalizão entende que é preciso aumentar a produtividade agrícola, estimular a silvicultura, acabar com o desmatamento e estimular a manutenção de áreas florestais.

“O primeiro passo é combater o desmatamento ilegal, que não interessa para ninguém. Depois, é preciso conservar ativos florestais existentes em propriedades privadas, remunerando os produtores pelo esforço em preservar. Por último, temos de estruturar mecanismos de crédito e financiamento para incentivar a produção em áreas pouco aproveitadas, que podem ser convertidas em renda, emprego e exportação”, disse Guimarães.

O grupo de especialistas dividiu os objetivos em metas para 2030, que são mais transitórias, e para 2050, mais permanentes. As datas estão alinhadas com os marcos do Acordo de Paris, cujo alvo maior é evitar o aumento da temperatura média do planeta em mais de 1,5°C.

“A partir dessas propostas, podemos reduzir a pressão sobre a floresta e revolucionar a forma como nos relacionamos com o meio ambiente. Produzir ou conservar é um falso paradoxo: não é só possível fazer os dois, como necessário”, chancelou o diretor do Ipam.

Sobre o novo governo brasileiro, que se envolveu em polêmicas com a intenção inicial de fundir os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, além das recentes críticas do presidente eleito, Jair Bolsonaro, ao Acordo de Paris, Guimarães afirmou que ainda “é muito difícil fazer uma análise aprofundada”.

“Uma coisa é fato: Bolsonaro tem uma orientação pró-mercado, quer investimentos, desenvolvimento. Para isso, contudo, o país precisa manter sua credibilidade, abrir mercados, o que só é possível se o Brasil fizer parte dos grandes tratados internacionais, como o Acordo de Paris. Espero que o novo governo tenha sensibilidade para isso”, avaliou.