LA NIÑA

Com manifestação do La Niña, especialista prevê setembro com pouca chuva

Os centros mundiais especializados em clima, em avaliações para 2016, indicam chuvas abaixo do normal para agosto, setembro, outubro e novembro

Foto: EFE/YONHAPNEWS

O aparecimento do fenômeno La Niña no mês de maio deve causar falta de chuvas em setembro, afirmou especialista da Universidade de São Pulo (USP). Em evento realizado pela Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), na última segunda-feira (01), Pedro Leite da Silva Dias, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, apontou que o fenômeno que torna a temperatura do oceano Pacífico na região do Equador e Peru deve se manifestar nos próximos meses de 2016.

Segundo ele, existem três fatores interligados que evidenciam este fato. O primeiro deles é que os centros mundiais especializados em clima, ao fazerem as avaliações para este ano, indicam que haverá chuvas abaixo do normal para os trimestres agosto-setembro-outubro e setembro-outubro-novembro.

O segundo é que as chuvas na região sudeste do país sofrem um controle em escala intrasazonal, ou seja, períodos de 30 a 40 dias intercalados por períodos secos e chuvosos. “Analisando o último ciclo com um período chuvoso no final de maio/começo de junho e depois da entrada de uma frente fria perto do dia 18 de julho, podemos prever uma situação desfavorável para a formação de novas frentes frias no período de setembro”, explica Dias. Ele ressalta que apesar de se tratar de uma previsão, esta regularidade intrasazonal deve manter a previsão.

O terceiro e último fator está relacionado com a temperatura nos oceanos e a ocorrência do La Ninã no oceano Pacífico. “Se houver a presença de anomalias de temperatura quente no Oceano Atlântico Equatorial, na faixa entre o continente Africano e a América do Sul, e anomalias de temperatura fria na costa da África que está para o Oceano Índico, é possível que o período de chuva nos continentes se atrase e não ocorra em setembro. Hoje, se tirarmos uma fotografia e analisarmos as anomalias, percebemos que todos estes episódios estão acontecendo. Isso evidencia muito mais a previsão de que o mês de setembro será seco e com chuvas abaixo do normal”, avalia o especialista.

Dias ainda alertou para o chamado “início falso” do período de chuvas, que pode acontecer no final do mês de agosto e começo de setembro, assim como ocorreu no ano de 2015, o que pode trazer “falsas esperanças”. “Os cafeicultores devem ficar em alerta e usar de outros meios para garantir a produção saudável da lavoura. Uma boa dica é usar massa seca perto dos pés de café, assim evitando a evapotranspiração que pode ocorrer em um processo mais acelerado devido às altas temperaturas depois desse pequeno período de chuva”, completa.

Pedro Dias também adiantou duas previsões para 2017. O inverno deve ser mais frio do que a média esperada e no próximo verão – entre dezembro e março – a probabilidade de chuvas extremas ao final do dia deve ser menor.

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Publicado em Meio ambiente e Tecnologia